Rumos 2026: Ajuste fiscal é chave para melhorar ambiente de negócios no Brasil, dizem CEOs de grandes companhias
Executivos-chefes (CEOs) de grandes empresas de diferentes setores que participaram do Rumos 2026 defenderam a necessidade de um ajuste fiscal como condição para que possa haver uma queda estrutural dos juros e a melhora do ambiente de negócios no Brasil. A percepção é que isso possa acontecer após as eleições presidenciais, independentemente do vencedor. Ainda assim, a queda esperada para os juros já neste ano deve trazer algum alívio.
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Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, afirmou que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve trazer o primeiro corte de juros após um período prolongado com a taxa básica em patamares elevados. Ressaltou, porém, que é importante reduzir o custo de capital, acrescentando que o Itaú vê espaço para queda relevante de juros:
— Precisamos discutir alavancas para uma queda estrutural da taxa de juros. Se eles ficarem (no patamar atual) por um prazo mais longo, aí a inadimplência tende a subir. Já temos um recorde de recuperações judiciais e, com a economia mais pressionada, ficaríamos mais distantes de um ciclo virtuoso.
Maluhy frisou que é preciso instituições fortes e que isso ajuda a reduzir o prêmio de risco, além de ampliar a segurança jurídica.
— O tema fiscal é o tema da hora. O próprio secretário (do Tesouro, Rogério) Ceron reconheceu que tem espaço para avançar. O arcabouço fiscal é lento (do ponto de vista de melhora na dívida pública). O Brasil precisa fazer uma reforma orçamentária urgente, qualquer que seja o novo presidente.
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Acesso a crédito
O CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, afirmou que o ambiente de negócios ainda impõe obstáculos ao financiamento das empresas do setor varejista, o que limita decisões de investimento e expansão das companhias no país:
— Avanços microeconômicos podem melhorar o acesso a crédito e reduzir riscos no varejo. É necessária uma agenda de reformas estruturais para destravar o ambiente de negócios.
O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, destacou a importância do setor privado para o crescimento do Brasil. O empresariado, entretanto, teria desafios pela frente, sobretudo com um cenário tributário complexo e a necessidade de se aumentar a competitividade da indústria nacional, ponderou. Para ele, o país precisa dar alguns passos para tornar o setor produtivo mais forte, citando a necessidade de garantir cenário macro forte e comércio internacional livre de burocracias.
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Questionado sobre o impacto de crises globais nos negócios, explicou que nos últimos anos essas turbulências foram constantes, entre elas a inflação na Europa, a falta de peças para aviões e agora o conflito entre Estados Unidos e Israel e o Irã.
— Na Embraer, tratamos com objetividade e foco (o tema), com plano robusto para definir as medidas para mitigar as crises. Tivemos sucesso. A companhia vive momento de expansão, com melhoria contínua e crescimento no resultado operacional.
Representantes de outras indústrias têm visão mais crítica sobre o contexto atual. O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou que a elevada carga de impostos federais é um dos principais entraves à competitividade brasileira. Citou ainda o custo da energia para a siderurgia:
— O custo de energia é um fator relevante para a competitividade da indústria — afirmou, ao defender maior previsibilidade para estimular investimentos no país. — Temos boas políticas, mas a execução ainda é ineficiente em várias áreas.
Para a líder regional da Dow no Brasil, Mariana Orsini, o Brasil precisa seguir avançando em sua política industrial. Segundo ela, o 'Inflation Reduction Act' (Lei de Redução de Inflação, de 2022), aprovado pelo governo de Joe Biden nos EUA, é um bom exemplo onde o Brasil pode beber na fonte.
