O deputado Rui Falcão (PT-SP) informou ter apresentado à Procuradoria-Geral da República, na quarta-feira (21), um pedido de investigação sobre R$ 4 milhões recebidos pelo escritório do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A notícia de fato envolve o advogado Edvaldo Nilo de Almeida, cuja recondução ao Conselho Nacional do Ministério Público dependia de aprovação do Senado. A peça solicita apuração de suspeitas de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Falcão quer esclarecer se os pagamentos remuneraram serviços jurídicos ou encobriram vantagens relacionadas ao exercício do mandato. Edvaldo sustenta que as duas bancas trabalharam para clientes privados, sem recursos públicos. A manifestação reproduzida no documento atribui os valores a um contrato firmado em abril de 2025. O caso foi revelado em reportagens do UOL, do Metrópoles e de O Globo, citadas na representação. A iniciativa do deputado acrescenta à revelação dos repasses um pedido de rastreamento financeiro, acesso aos contratos e identificação dos serviços prestados. Edvaldo Nilo de Almeida em sessão do CNMP, em 12 de maio de 2026. Foto: Leonardo Prado/Secom/CNMP, CC BY-SA 4.0. Transferência antecedeu votação em 22 dias Segundo a notícia de fato, o escritório Nilo & Almeida pagou duas parcelas de R$ 2 milhões à sociedade individual de advocacia de Flávio. As notas fiscais, emitidas em 6 de agosto e 17 de outubro de 2025, descrevem os trabalhos como “Assessoria Jurídica”. A segunda transferência ocorreu em 21 de outubro de 2025, conforme informação de O Globo reproduzida na petição. Vinte e dois dias depois, em 12 de novembro, o plenário aprovou a permanência de Edvaldo no conselho. O registro oficial do Senado confirma a participação de Flávio e aponta zero impedidos. Foram 54 votos favoráveis, três contrários e uma abstenção, em escrutínio secreto, que não permite identificar a escolha individual dos parlamentares. Falcão questiona a ausência de declaração de impedimento diante da relação comercial com o interessado. A peça invoca regras sobre interesse pessoal e patrimonial para pedir exame da conduta do senador. O advogado ocupa a vaga destinada à Câmara dos Deputados no conselho, responsável pelo controle administrativo e financeiro do Ministério Público. Sua recondução passou a valer em 7 de fevereiro de 2026, segundo a tramitação legislativa. Pedido inclui sigilos e relatórios do Coaf O parlamentar requer que a PGR solicite ao Supremo Tribunal Federal o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos e de suas sociedades. O período indicado vai de janeiro de 2025 a fevereiro de 2026, com atenção às contas do escritório de Flávio no BRB e no Santander. A investigação pretendida buscaria a origem e o destino dos R$ 4 milhões. Falcão pede ainda relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras e preservação dos registros bancários e fiscais. Outro conjunto de diligências envolve o contrato, eventuais aditivos e documentos que demonstrem a prestação dos serviços. A relação inclui pareceres, peças processuais, procurações, correspondências e comprovantes de repasses de honorários. A notícia de fato solicita a identificação dos clientes e das causas atendidas. Edvaldo não informou esses nomes nas explicações à imprensa reproduzidas na representação. Falcão quer verificar, especificamente, se houve atuação em causas de interesse de entes públicos. A peça sustenta que essa hipótese, se comprovada, poderá justificar comunicações ao Senado e à Ordem dos Advogados do Brasil. Relação com outra investigação deve ser examinada O documento também pede avaliação de eventual conexão com uma investigação no Supremo, sob relatoria de Alexandre de Moraes, mencionada pelo UOL. O caso citado envolve movimentações financeiras relacionadas ao senador e ao advogado Willer Tomaz, que negam compartilhar conta bancária. A representação propõe ouvir Edvaldo, a administradora da sociedade de Flávio e o próprio parlamentar, observadas suas prerrogativas. Solicita ainda ao Senado os registros das deliberações e declarações de interesse apresentadas pelo candidato. O UOL informou que a campanha de Flávio não respondeu aos questionamentos até a publicação de sua reportagem, em 20 de outubro de 2026, conforme reproduzido na peça. A notícia de fato solicita à PGR a abertura de investigação ou de inquérito no Supremo. Os pedidos de apuração e de quebra de sigilos não equivalem a medidas já autorizadas pela Justiça.
Rui Falcão pede à PGR investigação sobre R$ 4 milhões recebidos por escritório de Flávio
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