247 – O senador eleito pela Bahia e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) criticou a articulação política em torno da reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado, que envolve a possibilidade de anistia ou indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (29) pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, o petista defendeu que o Congresso Nacional e o governo federal concentrem suas atividades em medidas para melhorar as condições de vida da população, em vez de colocar a situação judicial do político da extrema direita no centro da agenda política.
O presidente do Senado avalia uma negociação com integrantes da direita para reduzir a pressão pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em contrapartida, a articulação abriria espaço para discutir medidas que beneficiariam Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na trama golpista.
O senador eleito Rui Costa afirmou ser “a favor do distensionamento político”. “Que a gente não coloque essa questão da polarização política no centro do governo, nem do Congresso Nacional.
A gente deve tirar da agenda essa centralidade na polarização e, eventualmente, na discussão dos crimes cometidos por qualquer família, inclusive a família Bolsonaro”, acrescentou. “Nós devemos falar mais de povo”, afirma Rui Costa
Ao comentar o resultado das eleições, Rui Costa destacou que os eleitores esperam respostas concretas de representantes do Executivo e do Legislativo. O ex-ministro afirmou que parlamentares e governantes precisam interpretar a participação popular nas urnas como uma cobrança por soluções para os problemas enfrentados diariamente pelos brasileiros.
“Essa multidão que foi nas ruas está preocupada com o que nós, políticos, senadores, deputados, governo executivo, vamos fazer para melhorar a vida cotidiana deles”, declarou. O senador eleito mencionou as dificuldades enfrentadas por quem depende do transporte coletivo e por cidadãos que cobram melhorias na segurança pública.
Segundo Rui, essas questões devem orientar o trabalho das autoridades nos próximos quatro anos. Ele afirmou que os representantes políticos precisam “apontar soluções, apontar caminhos” para responder às expectativas da sociedade.
“Nós devemos falar mais de povo, da vida das pessoas”, defendeu. Alcolumbre busca apoio da direita para permanecer no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, avalia alternativas para ampliar sua base de apoio e conquistar um novo mandato à frente da Casa em 2027. A articulação envolve uma possível aproximação com integrantes do bolsonarismo, que defendem medidas para beneficiar Jair Bolsonaro e outros condenados por atos contra a democracia.
A negociação também contempla a tentativa de reduzir as iniciativas parlamentares destinadas a afastar ministros do STF, especialmente o ministro Alexandre de Moraes. O cálculo político considera que um entendimento com o grupo ligado ao ex-presidente poderia modificar a disputa pela presidência do Senado e diminuir a resistência à recondução de Alcolumbre.
Uma parcela da direita discute candidaturas alternativas, entre elas as dos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), que poderiam disputar o comando da Casa. Presidente da CCJ nega acordo sobre perdão a Bolsonaro
Apesar das informações sobre as negociações, dirigentes do Senado afirmam que não existe um entendimento concluído sobre anistia ou indulto. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), confirmou que conversou com Davi Alcolumbre sobre a necessidade de reduzir as tensões políticas após as eleições.
Em entrevista à CNN Brasil, Otto negou que o diálogo tenha estabelecido qualquer compromisso relacionado ao perdão judicial de Bolsonaro ou dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro. “Não tem discussão sobre indulto e anistia”, afirmou.
Brasil 247