Rubio afirma que há divisões dentro das lideranças do Irã e que EUA estão conversando com uma delas

 

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou, em entrevista à ABC News, que o Irã 'nunca' terá permissão para decidir quem transita por vias navegáveis ​​internacionais. A fala surge em um momento que os iranianos anunciaram a liberação do Estreito de Ormuz apenas para alguns aliados.

Ele acrescentou nas declarações que Trump 'tem várias opções à sua disposição'.

'O Departamento de Guerra está preparando alternativas para o presidente para esta e outras contingências que possam surgir. É o que sempre precisa acontecer em situações como esta'.

Rubio também foi questionado sobre a postagem de Trump no Truth Social, onde o presidente disse que os EUA 'estão em discussões sérias com um novo regime, mais razoável, para encerrar nossas operações militares no Irã'.

Questionado sobre com quem os EUA estão em contato, Rubio se recusou a revelar suas identidades 'porque isso provavelmente os colocaria em apuros com outros grupos de pessoas dentro do Irã'.

'Se houver novas pessoas no comando com uma visão mais razoável do futuro, isso seria uma boa notícia para nós, para elas e para o mundo inteiro. Mas também precisamos estar preparados para a possibilidade, talvez até mesmo a probabilidade, de que esse não seja o caso'.

Segundo ele, 'há fissuras' e, se tiver novas pessoas no comando, 'isso seria uma boa notícia para nós, para elas e para o mundo inteiro'.

Questionado novamente sobre a existência ou não de um novo regime, Rubio disse:

'No fim das contas, temos que ver se essas pessoas acabarão sendo as que estarão no comando, ver se são elas que têm o poder de fazer acontecer'.

'Vamos testar. Estamos esperançosos de que seja esse o caso. Claramente, há pessoas lá conversando conosco de maneiras que as pessoas que estavam no poder no Irã não conversaram conosco no passado', continuou.

O governo do Irã ironizou a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que poderia atacar instalações de energia, de petróleo e a ilha iraniana de Kharg caso um acordo não fosse fechado e o Estreito de Ormuz não fosse reaberto.

Uma publicação na televisão estatal diz que o Irã 'respondeu positivamente às ameaças de Trump e reabriu o Estreito de Ormuz'. Porém, não para todos, e sim 'apenas para dois petroleiros chineses'.

As autoridades iranianas permitiram nesta segunda-feira (30) a passagem de dois navios porta-contêineres de propriedade e tripulação chinesas pelo Estreito de Ormuz.

Donald Trump durante jantar anual do Comitê Nacional Republicano do Congresso.

Jim WATSON / AFP

Em uma publicação nas redes sociais na sua plataforma Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA estavam conversando com um 'regime [do Irã] novo e mais razoável'. Por isso, segundo ele, foi feito um 'grande progresso'.

Trump sugeriu que um acordo com eles seria 'provavelmente' fechado em breve.

No entanto, o republicano reiterou as ameaças de que 'se por qualquer motivo um acordo não for alcançado em breve' e o Estreito de Ormuz não for reaberto, os EUA atacarão as usinas elétricas, os poços de petróleo e a ilha de Kharg do Irã.

A fala ocorre após o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã contradizer Trump sobre suas declarações anteriores a respeito das negociações;

Esmaeil Baqaei voltou a afimar nesta segunda-feira (30) que o país 'não teve nenhuma negociação direta com os Estados Unidos até o momento'.

Segundo ele, em comentários divulgados pela agência de notícias semifoficial Tasnim, o que foi debatido até agora foram 'mensagens que recebemos por meio de intermediários, afirmando que os EUA querem negociar'.

Baqaei defendeu que 'não há como' acreditar nas afirmações dos diplomatas americanos, que ficam 'mudando de posição'.

'O Irã deixou clara sua posição desde o início, e sabemos muito bem qual é o quadro que estamos considerando. O material que nos foi transmitido contém exigências excessivas e descabidas'.

'As reuniões que o Paquistão realiza são uma estrutura que eles mesmos estabeleceram e da qual não participamos. É bom que os países da região se preocupem em pôr fim à guerra, mas devem ter cuidado com quem a iniciou', declarou.

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei.

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