O candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas, defendeu nesta terça-feira (8) a criação de um gabinete permanente com a participação da União para combater o crime organizado, caso seja eleito. Durante sabatina promovida pelo Valor, O Globo, Extra e CBN, Ruas afirmou ainda que pretende revogar o "indicador de letalidade". Ao comentar o cenário político, buscou associar seu principal adversário, Eduardo Paes (PSD), ao seu correligionário Cláudio Castro (PL), ex-governador e investigado pela Polícia Federal (PF) em inquéritos relacionados a escândalos de corrupção. O tema da segurança pública no Rio é um dos mais sensíveis na pauta eleitoral. Ao comentar o assunto, Ruas disse que não existe "licença para matar" para policiais, quando questionado sobre a alta letalidade da Polícia Militar, com mortes de inocentes, em confrontos com criminosos. O candidato defendeu, por exemplo, a operação policial ocorrida em outubro no Complexo do Alemão, onde mais de 120 pessoas morreram nos confrontos policiais. Ele atribuiu o alto número de mortes, de pessoas envolvidas com o crime organizado, à "opção que o criminoso faz" e disse que pretende adotar medidas que venham a "proteger" os policiais no exercício da função. Uma das propostas envolve a criação de um serviço de advocacia exclusivo para policiais em caso de mortes em operações. Ruas afirmou que a atual política de segurança "pune" policiais que são recebidos a tiros ao chegarem a determinadas localidades onde há presença de crime organizado e que revidam. "Ele é rebaixado no ranking de metas e perde o bônus, a gratificação, na avaliação de desempenho da segurança pública. É como se a gente descontasse o salário do bombeiro que apaga o incêndio", afirmou. ‘Limpeza' de Ricardo Couto Ruas afirmou que a "limpeza" promovida pelo governador em exercício Ricardo Couto tem o apoio do candidato e defendeu a punição a quem nomear pessoas a "cargos fantasmas" no Estado. Couto exonerou mais de 6 mil pessoas em cargos comissionados, sem concurso, e determinou auditorias em contratos considerados irregulares. Ruas, também buscou rebater suspeitas apontadas em uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado (CGE) na sua atuação na secretaria de Cidade do governo Claudio Castro. Ruas afirmou que a apuração do próprio governo teria "inúmeras inverdades".
Segundo reportagem do Globo, uma auditoria apontou possíveis irregularidades em um aditivo a um contrato para obras de asfalto. "Já informei ao governador em exercício [Ricardo Couto] e vou levar a todas as consequências esse vazamento de informação", disso candidato do PL.
Ruas afirmou ainda que o contrato em questão foi auditado pelo Tribunal de Contas do Estado. Ele também foi questionado sobre outro reportagem do jornal O GLOBO, que mostrou que uma pedreira da família do deputado federal Altineu Côrtes (PL), seu padrinho político, recebeu pagamentos de uma empresa contratada para obras de pavimentação da secretaria de Cidades.
Ruas respondeu que "não cabe" à secretaria fiscalizar quem são os fornecedores das empresas contratadas por ela.
Paes e Cláudio Castro Ao buscar se distanciar de Cláudio Castro, Ruas afirmou que representa uma "nova geração" de políticos.
"Minha relação com o ex-governador [Claudio Castro] foi uma relação político-institucional, diferente da do Eduardo Paes, que teve uma relação de muito mais intimidade", disse Ruas.
O candidato do PL, que foi secretário de Estado das Cidades na gestão Castro, lembrou de vídeos onde Paes e o ex-governador aparecem cantando juntos.
"É um parceiro de copo dele, inclusive tem fotos dele sentado ao bar tomando cerveja juntos. Então, o Eduardo Paes tem uma relação de muito mais proximidade com o ex-governador do que eu. Eu nunca tive uma relação de intimidade, uma relação de trabalho. Mas o Eduardo Paes, o histórico dele é assim. Ele sempre muito próximo do ex-governador Sérgio Cabral. Quando ele teve problema, ele larga a mão e acusa", disse Ruas.
Valor