Rua Paim volta a ficar sem energia em SP e falha na rede afeta comerciantes

 

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A Rua Paim, no centro de São Paulo, voltou a ficar sem energia na última quarta-feira (18) por um problema na rede elétrica. O local tem os fios enterrados, o que dificulta o trabalho de manutenção das equipes da Enel.

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O problema no abastecimento de energia aconteceu na quarta (18) e alguns comerciantes ainda estão sem energia.

O barbeiro Matheus Aparecido estava atendendo um cliente que quando ficou sem luz. Ele precisou terminar o atendimento no meio da calçada.

Barbeiro ficou sem luz e terminou atendimento na calçada - Reprodução

Ele conta que os problemas recorrentes de falta de energia prejudicam o atendimento dele aos clientes.

"Nossa, ainda bem, viu? Porque ficar sem energia é bem complicado, ainda mais espessar a cliente em cima da hora por conta disso. E como no mês passado também foram três dias sem energia, isso pesa um pouquinho também no final do mês, querendo ou não fechar três dias assim, direto. E espero que não falte hoje, né? Eles estão com o gerador aqui, mas eu não sei até quando. Olha, teve uma vez, foi bem no primeiro ano, que faltou mais de um, mais, quase uma semana. Em horários assim, tipo, bem no horário do movimento, inclusive. E a gente teve que fechar e não teve nem prazo pra voltar, inclusive."

O comerciante José Oliveira tem energia apenas por causa do gerador. Ele comprou gelo para não perder mercadorias.

"A primeira vez a gente perdeu o sorvete, a gente perdeu a primeira vez, perdeu a segunda e a terceira vez ontem eu não perdi porque eu comprei gelo e enchei o frizz de gelo, então segurou. E tem que fechar a loja mais cedo, por causa que a gente fica sem luz, durante o dia a gente consegue trabalhar com a lanterninha na mão. Agora à noite, cinco horas não tem mais como, tivemos que baixar as portas ontem cedo, entendeu? Que a gente fecha às oito. Você imagina o tamanho do prejuízo. Não tem previsão, eles nem descobriram o que que é, eles estão tentando descobrir qual é o motivo da falta de luz, eles não sabendo o que que é."

No mês passado, moradores e comércios das ruas Paim e Avanhandava ficaram sem energia por 48h após o deslocamento de um equipamento da rede subterrânea.

Mais de 20 mil clientes ficaram sem energia na época. Mais de 20 geradores foram utilizados.

O problema acontece em meio às discussões sobre a renovação ou caducidade do contrato da Enel São Paulo.

Nesta semana, a Enel Distribuição São Paulo recorreu à Justiça Federal para tentar suspender o julgamento do processo administrativo que pode indicar a caducidade do contrato da empresa, marcado para a próxima terça-feira na Agência Nacional de Energia Elétrica.

A empresa alega que não teve garantido o direito ao contraditório e à ampla defesa e também solicita a anulação do voto do diretor-presidente da Aneel, Sandoval Feitosa, apresentado no fim de fevereiro.

O processo de caducidade foi aberto no ano passado após sucessivos apagões e críticas ao tempo de resposta da concessionária para restabelecer a energia, principalmente após temporais na Grande São Paulo.

O presidente da Aneel, Sandoval Feitosa, afirma que o processo segue as regras e que ainda não houve julgamento do mérito:

"O que a empresa consegue fazer é parar o processo administrativo na Enel. E qual interesse da empresa? O processo está sendo instruído, devidamente instruído. A Procuradoria Federal está se manifestando, as áreas técnicas da Enel estão se manifestando. Nós precisamos que as instituições sejam respeitadas no país."

O presidente da Aneel também disse que a concessionária deveria investir mais na melhoria do serviço e menos em advogados para suspender processo.

Diretores da Enel chegaram a criticar o fato de o voto favorável à caducidade ter sido apresentado antes da defesa da empresa.

Em nota, a Enel afirmou confiar nos fundamentos apresentados e defendeu que a análise seja feita de forma técnica e isenta.

O contrato da distribuidora na Grande São Paulo vai até 2028.

Caso a caducidade seja indicada pela Aneel, a decisão final caberá ao governo federal, através do Ministério de Minas e Energia.