Rua da Carioca começa a tomar forma da Rua da Cerveja: calçadas mais largas e pistas mais estreitas para o trânsito
A qualquer momento, um operador de tráfego pode interromper o trânsito na Rua da Carioca para a passagem de retroescavadeiras. As máquinas abrem buracos no lado ímpar para ampliar em 1,5 metro as calçadas de uma das vias mais tradicionais do Centro do Rio. As intervenções fazem parte do projeto para transformar o espaço na futura Rua da Cerveja, dentro do plano da prefeitura que busca revitalizar a região.
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Prevista para terminar em agosto, a reurbanização ainda gera controvérsias entre os comerciantes. As discussões giram em torno da proposta de ampliar os espaços para circulação de pedestres na área boêmia. Para isso, as faixas de trânsito estão sendo reduzidas de três para duas, sendo uma delas destinada ao corredor de BRS. Com a eliminação de uma faixa, está sendo possível alargar as calçadas dos dois lados da rua. O novo mobiliário urbano e o projeto de iluminação pública prometidos ainda não começaram a ser instalados.
— O movimento já estava fraco nos últimos anos. Com a obra, piorou. O perfil do cliente com quem trabalhamos circula de carro para fazer compras. Uma faixa só vai gerar engarrafamentos; eles vão procurar outros fornecedores. E não deu para entender por que parte da calçada é em pedra e parte em granito — reclamou um funcionário da loja Palácio das Ferramentas, que preferiu não se identificar.
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Por sua vez, pioneiro em investir no novo formato da Rua da Carioca ainda em 2025, o empresário Raphael Vidal, da choperia Cotovelo, diz estar confiante no resultado da intervenção. A cervejaria foi instalada após a reforma de dois sobrados construídos em 1877. Antes, em um deles funcionava a casa de ferragens Irmãos Castro; no outro, a loja Mala de Ouro.
— Nessa fase da obra, é normal que alguns tenham dúvidas. Mas são minoria. O projeto vai abrir um grande espaço de circulação. A diferença de tons na calçada vai até ajudar na fiscalização para verificar se os estabelecimentos cumprem a exigência de manter um espaço mínimo para a passagem de pedestres — avalia Raphael Vidal.
Trecho ainda com a calçada em obras: mais 1,5m de largura de cada lado da rua
Domingos Peixoto
No lado par, onde as obras estão mais adiantadas, já é possível observar o formato final. O trecho em pedras portuguesas foi recuperado, já que o calçamento é tradicional. Mas os pontos ampliados estão ganhando revestimento em granito branco, contrastando com as pedras.
O prefeito Eduardo Cavaliere explicou que o granito também será empregado em outras intervenções em estudo na região central que prevejam a ampliação das calçadas, mantendo as pedras portuguesas originais. Entre as vias que podem receber o novo formato estão a Rua do Senado e a Rua do Theatro.
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— O granito é um material mais resistente. Consultados, o Iphan e o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) aprovaram a solução — disse Cavaliere.
Percalços no projeto
Além da polêmica, o projeto também passou por percalços. Em 15 de abril, a Coordenadoria-Geral de Obras da Secretaria Municipal de Infraestrutura advertiu por escrito o consórcio responsável pela execução do projeto. Publicada no Diário Oficial, a advertência ocorreu depois que fiscais da prefeitura, em visita ao canteiro, constataram que a obra estava parada e sequer era acompanhada por engenheiros das empreiteiras havia pelo menos cinco dias.
Eles encontraram ainda pedaços de pedras portuguesas soltos nas calçadas, expondo pedestres ao risco de acidentes, além de falhas na sinalização das intervenções. O consórcio foi intimado a retomar o ritmo das obras e a sinalizar os canteiros. Curiosamente, no mesmo dia da advertência, foi publicado no Diário Oficial um aditivo de R$ 722 mil para o projeto, elevando o custo original da obra para R$ 3,6 milhões.
No início de maio, Cavaliere se reuniu com comerciantes e disse que a obra terminará em agosto, conforme a previsão contratual. O encontro deixou otimistas os proprietários dos seis estabelecimentos que já se instalaram no local — há previsão da abertura de mais três pontos. Eles começaram a realizar uma série de reuniões nesta semana com concessionárias de serviços públicos. A primeira ocorreu na segunda-feira, com a Águas do Rio.
— Não temos problemas de abastecimento hoje. Mas a expectativa é que o movimento cresça bastante quando a obra terminar, e queremos ter a estrutura necessária para oferecer o melhor serviço. Faremos outros encontros com mais concessionárias daqui para a frente — diz Luiz Oliveira, da Vírus Bier, a primeira cervejaria a se instalar na Rua da Carioca, em setembro de 2024.
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O proprietário de um bar no número 36 da Rua da Carioca, Plínio Martins, não está tão otimista. Há 50 anos no ponto, ele diz que são necessárias mais ações efetivas para a recuperação do entorno, a fim de garantir que as intervenções alcancem o objetivo proposto:
— A rua começou a se esvaziar a partir de 2013, quando vários escritórios começaram a fechar, bem como hotéis na Praça Tiradentes que eram clientes do bar. A pandemia só piorou esse quadro. Se isso não for alterado, será difícil reverter a situação — afirmou Plínio.
No projeto da Rua da Cerveja, a prefeitura criou subsídios para estimular a abertura de estabelecimentos que vendam cerveja artesanal e petiscos. Para a reforma dos imóveis (mil reais por metro quadrado), o subsídio é de até R$ 200 mil. Já para despesas operacionais (R$ 75 por metro quadrado mensais, por até 30 meses), o valor pode chegar a R$ 15 mil, com limite para imóveis de até 200 metros quadrados.
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