Roubo de carros e casos de estupro aumentam nos dois primeiros meses do ano no Rio

 

Fonte:


Depois de fechar 2025 em queda, os roubos de carros começaram o ano em alta. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, cerca de 90 carros, em média, foram roubados por dia no estado, entre janeiro e fevereiro. Ao todo, foram 5.344 casos - avanço de 5% em relação ao mesmo período de 2025.

Uma das vítimas foi a comerciante Ana Lúcia Oliveira, assaltada em janeiro. Ela foi abordada, às três da manhã, perto da Ceasa e do Batalhão de Irajá. Só nessa região, foram 219 roubos de veículos no bimestre passado.

"Duas motos me fecharam, foram quatro indivíduos. Um desceu do carro, me rendeu, enquanto o outro dos dois ficavam apontando a arma para mim. Um levou o meu carro, o outro ficou na moto me revistando, querendo o meu telefone. Eu só pedi para não me matar, eu só pedia para me deixar viva. Foi um sufoco, foi uma sensação horrível em saber que no exato momento você poderia ter que morrer. Estou traumatizada até agora, não consigo dirigir meu carro. Comprei um outro, mas não consigo dirigir".

As regiões com mais ocorrências foram Monjolos, em São Gonçalo, o Centro de Duque de Caxias e São João de Meriti.

A PM diz que reforçou a presença nas áreas com mais registros de roubos de carros e que investe em inteligência e tecnologia, como videomonitoramento e reconhecimento facial e de placas.

Outro dado que chama a atenção é o aumento nos casos de estupro. Foram 471 vítimas no primeiro bimestre - crescimento de mais de 8% na comparação com o ano passado.

Um dos casos de maior repercussão foi o estupro coletivo de uma adolescente em Copacabana.

O especialista em segurança pública Pedro Strozenberg avalia que o aumento está ligado à negligência da sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher:

"Há uma certa permissividade talvez da sociedade e um desrespeito absoluto contra as mulheres, o que exige tanto das polícias quanto da justiça, também da sociedade, que a gente se indigne quanto a isso, não aceite isso, e que tenha a responsabilização adequada. Acho que o retrato desse aumento traz uma certa aceitação, acomodação da sociedade e uma ausência de resposta da polícia e da justiça".

Também houve alta nos casos de estelionato, que cresceram 2% e já somam mais de 12 mil registros no período.