Rotina de horror: polícia encontra bebês amarrados e feridos em creche particular na Indonésia

 

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Por fora, a imagem era a de uma creche exemplar: quartos com ar-condicionado, camas, almoço incluído e atividades recreativas vendidas como símbolo de conforto e segurança para pais de crianças pequenas. Por dentro, segundo a polícia de Yogyakarta, na Indonésia, o cenário era outro. Crianças, incluindo bebês, teriam sido encontradas com mãos e pés amarrados, algumas sem roupa, vestindo apenas fraldas, além de sinais de ferimentos e negligência generalizada.

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A descoberta ocorreu após uma ex-funcionária denunciar às autoridades que menores eram submetidos a tratamento desumano dentro da creche Little Aresha. Quando policiais entraram no local, afirmam ter encontrado crianças com mãos e pés amarrados e lesões pelo corpo.

Segundo Rizki Adrian, chefe da unidade de investigação criminal da polícia de Yogyakarta, a instituição mantinha crianças em salas minúsculas, de cerca de três metros de largura, com até 20 menores em cada ambiente. Das 103 crianças matriculadas, ao menos 53 são tratadas pelas autoridades como vítimas de abuso físico e negligência. A maioria tinha menos de dois anos.

No sábado, cerca de 30 pessoas ligadas à creche foram detidas para interrogatório. Treze acabaram presas, entre elas a diretora da instituição, a chefe da Fundação Little Aresha e cuidadores, acusados de maus-tratos, negligência e outros crimes relacionados à proteção infantil. As autoridades também confirmaram que a creche funcionava sem licença.

Pais dizem ter ignorado sinais até vídeos revelarem abuso

Durante anos, Noorman confiou à Little Aresha o cuidado dos dois filhos pequenos. Primeiro matriculou a filha, em 2022. Depois, em 2024, levou também o filho, então com apenas três meses. O que o convenceu, segundo ele, foi justamente a estrutura apresentada pela creche.

— As instalações oferecidas incluem quartos com ar-condicionado, camas, almoço e uma variedade de atividades recreativas. Foi por isso que fomos atraídos pela Little Aresha porque, francamente, a imagem da creche era excelente — afirmou à BBC.

Segundo Noorman, a responsável pela fundação parecia “gentil e comunicativa”. A percepção mudou abruptamente quando ele recebeu uma ligação sobre a operação policial e viu as imagens feitas no local.

— Então nos mostraram um vídeo da operação, mostrando as crianças com mãos e pés amarrados, sem roupa e vestindo apenas fraldas — relatou.

Ao rever episódios que antes pareciam isolados, o pai diz hoje enxergar sinais claros de violência. Ele lembra de um corte no queixo da filha, hematomas nas mãos e do fato de os dois filhos voltarem para casa diariamente reclamando de fome, mesmo levando comida.

— Por que todo dia, quando ele chega em casa, reclama que ainda está com fome, pedindo comida, bebida, leite? — questionou. Depois, reconheceu: — Acabou que não percebemos os sinais de que algo estava errado.

A indignação cresceu ainda mais após a divulgação de um vídeo no TikTok publicado por Erika Rismay, mãe de outra criança da creche. No relato, a menina afirmou que professoras amarravam suas mãos, seus pés e cobriam sua boca. Quando a mãe perguntou: “Por que cobriram sua boca?”, a criança respondeu: “Para eu não chorar. Para a mamãe não me ouvir chorando”.

“Oh, Allah, minha filha, me perdoe”, escreveu Erika. Em seguida, acrescentou: “Agora entendo por que todos os dias, quando você saía para a escola, chorava desesperadamente, e quando voltava para casa ficava calada e distante, como se estivesse hipnotizada”.

O governo de Yogyakarta determinou avaliações físicas e psicológicas nas crianças apontadas como vítimas, além de atendimento especializado aos pais. O prefeito Hasto Wardoyo prometeu ampliar a fiscalização sobre creches na cidade, enquanto o caso provoca indignação nacional e reacende o debate sobre a falta de controle sobre instituições de cuidado infantil na Indonésia.