O candidato a presidente da República pelo Partido Social Democrata (PSD), Ronaldo Caiado, é um dos nomes da direita a concorrer ao cargo de chefe do Executivo nacional.
Ao Valor, a assessoria do candidato o classificou como “direita raiz”, mas afirmou que a chapa formada com seu vice, Gilberto Kassab (PSD), se posiciona no campo da “centro-direita”, conforme definição do próprio partido em levantamento realizado pela reportagem.
Logo no primeiro vídeo de sua campanha eleitoral nas redes sociais, Caiado traz que, com 40 anos trabalhando na política brasileira, ele é da “direita raiz”, que pode ser explicada como uma direita mais conservadora e tradicional, segundo o cientista político e professor da Universidade da Amazônia (Unama), Rodolfo Marques.
Primeiro vídeo da campanha de Ronaldo Caiado
Reprodução/Instagram: @ronaldocaiado
Marques explica que, nas mais de quatro décadas de Caiado na política, quatro pilares explicam essa direita conservadora.
“Você tem pautas bem claras dessa ‘direita raiz’.
Uma delas é a questão da defesa do agronegócio e da propriedade privada.
Outra, é que ele é uma oposição histórica ao PT e ao Lula desde os anos 1980.
Ele também defende essa questão de segurança pública e a autodefesa.
E, além disso, tem o conservadorismo dos costumes, ao defender essa questão da família tradicional e valores individuais”, explica o professor.
A questão ruralista é a pauta mais defendida por Caiado desde o começo de sua vida na política.
O atual candidato fundou, na década de 1980, a União Democrática Ruralista (UDR), que era uma entidade ligada aos grandes empresários do agronegócio e que defendia a produção em larga escala e para o exterior, afirma o especialista.
Esse princípio de propriedade privada e defesa do agronegócio é, até hoje, uma das principais pautas do candidato.
Para Marques, isso é explicado por Caiado ter feito seu nome na política do Centro-Oeste, que é uma região ligada ao assunto.
Além do ex-governador de Goiás, segundo o professor, a disputa para a presidência traz outros nomes ligados à direita, como Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Romeu Zema.
Apesar de convergirem dentro do espectro da direita, Marques explica que Caiado sempre integrou uma “direita mais aberta ao diálogo”, mais tradicional.
Para ele, o candidato que afirmou em suas redes sociais que não é “sabor direita, mas direita raiz”, ao entrar no meme do "sabor energético" de 2026, sempre manteve as pautas do seu espectro.
Caiado: "Sabor direita, não.
Sou direita raiz"
Reprodução/Instagram: @ronaldocaiado
“Caiadista”
Em 2023, recém-eleito ao governo do estado de Goiás, Caiado concedeu uma entrevista ao Estadão, em que afirmou não ser nem de direita nem de esquerda, mas “caiadista”.
Marques explica que essa fala, porém, tem a ver com o contexto da época.
Enquanto em 2018 estar atrelado a Bolsonaro e à direita deu certo para muitos candidatos, em 2022 o resultado foi contrário, afirma o professor.
Haja vista esse cenário, o atual candidato se definir como “caiadista” na época foi uma tentativa de se personalizar e de construir liderança.
No entanto, essa estratégia pode já não funcionar tanto, tendo em vista que Lula e Flávio Bolsonaro são os candidatos personalizados nas eleições de 2026, informa o especialista.
Partido Social Democrata (PSD)
No site do PSD, o partido diz ser pautado pelos “mais profundos princípios democráticos, pela ética e pelo espírito republicano”.
A filiação do ex-governador ao PSD é recente.
Em março desse ano, o então político do União Brasil mudou de sigla.
O movimento foi estratégico para Marques, que explica que, com o objetivo de concorrer para o cargo de presidente, Caiado viu mais espaço dentro da legenda de Kassab do que no União Brasil.
Apesar da mudança, a troca foi consistente com a ideologia política do ex-governador de Goiás, que, nos 40 anos dentro da política brasileira, sempre esteve filiado a partidos da direita e centro-direita, afirma o professor.
“Nesses 40 anos de política, ele sempre foi extremamente coerente com o que ele pensa e o que ele representa.
Então, assim, quem vota nele sabe exatamente o que esperar dele.
Que é essa visão mais conservadora, defensora do agronegócio, e essa questão da tolerância zero com a violência”, diz.
*Estagiária sob supervisão de Diogo Max
