Rompimento de tubulação da Cedae no Guandu afetará fornecimento de água no fim de semana; veja municípios e bairros afetados
O rompimento de uma tubulação na Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, deixou um rastro de destruição na vizinhança e prejudicou o abastecimento. Era quase meio-dia quando moradores escutaram um forte estrondo e uma onda invadiu casas e lojas no entorno da unidade da Cedae. Telhados, muros e paredes foram abaixo, e nove famílias ficaram desalojadas. Com o vazamento, o Sistema Guandu passou a operar com metade de sua capacidade; o fornecimento foi totalmente cortado para os consumidores da Zona Oeste do Rio e de sete cidades da Baixada.
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A Cedae informou que a tubulação se rompeu após ser danificada durante uma obra e que o reparo deve ser concluído ainda na manhã de hoje. As concessionárias que fazem a distribuição de água estimam que o abastecimento só deve estar normalizado 72 horas depois do conserto. De acordo com a estatal, a água que vazou era tratada.
‘Fiquei chorando’
Imagens nas redes sociais mostram muita água jorrando de dentro da estação de tratamento. Ruas no entorno ficaram completamente inundadas. Em um dos vídeos, Pâmela Costa, moradora da Rua Jasmins, no bairro Prados Verdes, aparece presa nos escombros após parte de sua casa desabar com o impacto da água. Em desespero, ela gritava por socorro.
— Por causa dos escombros, eu não estava conseguindo sair. Fiquei chorando, até que um vizinho conseguiu abrir o portão com uma madeira. Ele me salvou e ainda resgatou meu cachorro, que estava se afogando — contou.
Fachada da casa da moradora Jaqueline Batista da Silva destruída
Foto de leitor
Moradora da mesma rua, Jaqueline Batista da Silva, de 31 anos, estava em casa com a mãe, que é diabética, o pai, que tem câncer, ambos idosos, e uma irmã quando tudo aconteceu. Ela conta que todos demoraram a entender o que estava acontecendo quando paredes começaram a cair.
— Tomamos um susto. Só vimos as coisas desabando com a força da água e não entendíamos nada. Ficamos presos dentro de casa, pedindo ajuda aos vizinhos, até que o pessoal veio e conseguiu tirar a gente. Entrou água na casa toda, que ficou muito destruída. Desabaram a varanda e a cozinha, e nossos móveis ficaram todos quebrados. Perdemos, por exemplo, geladeira, televisão, sofás e camas — relatou. — A gente olha para nossa casa e não vê como recomeçar. É desesperador. Estou ainda muito nervosa.
Jaqueline falou com O GLOBO enquanto ela e seus parentes reuniam pertences para se hospedar numa pousada da região. A estadia será custeada pela Cedae.
A Prefeitura de Nova Iguaçu informou que também tem equipes prestando atendimento às vítimas. Até a noite de ontem, um levantamento verificou 18 residências afetadas, sendo dez habitadas e oito vazias. Também foram atingidos 11 imóveis comerciais, uma igreja e seis salas comerciais. Todos ficam na Rua Jasmins e na Estrada Rio–São Paulo. Ainda sobre os danos, a Cedae afirmou que, além dos imóveis, nove carros e uma moto foram danificados pelo vazamento.
A Secretaria de Assistência Social de Nova Iguaçu está atendendo as vítimas desalojadas na Igreja Santo Agostinho, no bairro Prados Verdes. Também foram distribuídos kits de limpeza para os moradores de imóveis inundados.
A concessionária Águas do Rio disse que a rede afetada abastece Belford Roxo, Duque de Caxias, Mesquita, Nova Iguaçu, Nilópolis, Queimados e São João de Meriti. Por conta disso, o fornecimento para essas cidades foi interrompido. Nas zonas Norte, Sul e central da capital, também sob a responsabilidade da distribuidora, a vazão de água foi reduzida, podendo ocorrer intermitências em alguns bairros.
Torneira seca
Na Zona Oeste da capital, o corte foi total. A concessionária Rio+Saneamento confirmou que o abastecimento para 24 bairros foi interrompido. Bangu, Barra de Guaratiba, Campo dos Afonsos, Campo Grande, Cosmos, Deodoro, Gericinó, Guaratiba, Ilha de Guaratiba, Inhoaíba, Jardim Sulacap, Jabour, Magalhães Bastos, Paciência, Padre Miguel, Pedra de Guaratiba, Realengo, Santa Cruz, Santíssimo, Senador Camará, Senador Vasconcelos, Sepetiba, Vila Kennedy e Vila Militar não estavam recebendo água.
Ainda na capital, as áreas atendidas pela Iguá Rio, na Zona Sudoeste do Rio, também ficaram com o fornecimento reduzido. A concessionária reforçou a importância do uso consciente da água.
A regularização do abastecimento ocorrerá de forma gradual após a conclusão do reparo pela Cedae, podendo variar conforme a localidade, especialmente em pontas de linhas e áreas elevadas. A orientação é que os moradores economizem água e evitem atividades de grande consumo, como lavar carros e calçadas.
A Cedae informou que mobilizou equipes de Segurança Patrimonial e do Serviço Social para realizar vistorias e levantar o número de imóveis afetados, com o objetivo de identificar e avaliar os danos causados. A empresa garantiu que as áreas atingidas passarão por limpeza e que os moradores receberão a assistência necessária, incluindo o ressarcimento pelos prejuízos. Casas danificadas foram cercadas ontem por tapumes para evitar invasões e proteger os bens que restaram.
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