Rock in Rio reúne novas estrelas como Laufey e medalhões como Elton John e Gilberto Gil no 7 de setembro

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Tecladista, guitarrista e compositor do Roupa Nova, Ricardo Feghali, de 71 anos, começou como músico de bailes do Rio de Janeiro, nos anos 1970, com a banda Famks (cujos músicos, em 1980, formariam o Roupa). Ele se recorda de que, no repertório obrigatório, estavam canções do inglês Elton John, de 79, como “Skyline pigeon”, “Rocketman”, “Don’t go breaking my heart” e “Don’t let the sun go down on me” (todas parcerias com o letrista Bernie Taupin). Lingeries, transparência e couro: liberdade e criatividade das fãs de metal no Rock in Rio Notas dos críticos do GLOBO: Veja o ranking dos shows dos primeiros dias de Rock in Rio Guilherme Arantes, de 73 (assim como o Roupa Nova, um dos maiores hitmakers das rádios brasileiras, autor de clássicos como “Meu mundo e nada mais”, “Cheia de chame” e “Amanhã”) já foi considerado por muitos como o Elton John brasileiro. Hoje, todos (mais Gilberto Gil, 84, que também entende bastante de carregar o público pelas mãos com as suas canções) estarão juntos na histórica programação de um Rock in Rio do Dia da Independência. Enquanto Elton e Gil são as grandes atrações do Palco Mundo (em shows separados — um encontro dos dois é muito aguardado, mas não confirmado), a banda de Feghali recebe Guilherme para um show no Sunset até curto para tantos sucessos. — Quando o Elton John surgiu, tocando piano, e chegando ao número 1 das paradas, isso me favoreceu, porque os caras do mercado logo cravaram que eu era alguém da mesma linhagem. Por causa disso, eu até conheci a princesa Diana em Londres. Contaram para ela, por intermédio da Lúcia Flecha de Lima (embaixatriz brasileira amiga da princesa) que eu era tipo o Elton John do Brasil, e ela me recebeu para entregar meus discos na porta do Palácio de Kensington — diverte-se Guilherme, um estreante no Rock in Rio, para quem Gil “já passou todos os patamares, porque é um dos maiores, senão o maior compositor vivo do país.” Gilberto Gil é o primeiro artista a se apresentar no Palco Rio, em Copacabana Marcelo Theobald / Agência O Globo Fidelidade às canções Em sua segunda apresentação no festival — a primeira foi no Maracanã, em 1991 (“No mesmo dia do Snap!, que não foi, e tivemos que aumentar o nosso show”, lembra Feghali) — o Roupa Nova tem à disposição um vasto repertório de hits. Muitos de outros compositores, como “Whisky a Go-Go” (Michael Sullivan e Paulo Massadas), “Dona” (Sá e Guarabyra) e o próprio tema do Rock in Rio (Eduardo Souto Neto e Nelson Wellington), do qual eles foram músicos e cantores na gravação original, de 1985. Mas muitos também de autoria do grupo, como “Volta pra mim”, “Meu universo é você”, “A viagem”, “Seguindo no trem azul”. — A composição não pinta imediatamente. Hoje em dia, você chega no Suno (aplicativo musical de inteligência artificial) e fala: “Eu queria uma música sertaneja, um dueto pop, com bateria”. A música sai inteira. A composição não funciona assim. Você pode sentar num piano e fazer uma melodia e uma letra em 10 minutos, mas pode sentar o dia inteiro, dois, três e não sair nada — ensina Feghali, que fez a letra de “Volta pra mim” numa noite “jogando sueca no ônibus”. — Uma boa canção permanece. A canção e a composição ditaram a regra na programação de hoje do Rock in Rio, admite Zé Ricardo, vice-presidente da Rock World (que produz o festival) e curador de boa parte dos palcos. — Quis fazer um dia assim por (ter juntos) Gilberto Gil e Elton John. Quando pus o Roupa Nova, sabia que ninguém ia parar de cantar. A ideia era uma homenagem aos compositores, às grandes canções — conta. — Hoje, a percepção sobre o que é a canção ficou um pouco diferente. Mas a canção tem um valor de melodia, de letra e de harmonia muito rico. Por isso, criei provocações, como botar Roberto Menescal no Palco Mundo. Aos 88, o violonista capixaba, autor (em parceria com o letrista Ronaldo Bôscoli) de clássicos da como “O barquinho”, “Você”, “Rio” e “Nós e o mar”, e um dos grandes popularizadores da bossa nova no mundo, participa do show da estrela pop gaúcha Luísa Sonza, 28, para mostrar o que aprontaram em “Bossa sempre nova”, um dos dois álbuns que ela lançou este ano. — Tenho sempre procurado gente nova. O Bôscoli é quem falava: “Quem vive de passado é samba-canção” — brinca Menescal, que, além de Luísa, colabora com jovens como Theo Bial, Analu Sampaio e Sofia Gilberto (neta de João Gilberto, que aos 10 anos, gravou o “Barquinho” com Menescal). — Eu não sabia nada da Luísa. Ouvi umas músicas e pensei: “Será que vai dar para fazer uma bossa juntos?” No primeiro encontro, ela já me mandou uma música sem acompanhamento. No começo fiquei sem entender o que ela queria. Passaram-se uns 20 dias, e de repente a luz brilhou. Fizemos a parceria, gravamos, e é a música de que mais gosto do disco (“Um pouco de mim”). A cantora Luísa Sonza e o violonista e compositor Roberto Menescal, atrações do Rock in Rio Divulgação/Pam Martins Luísa diz saber o desafio que é “para qualquer artista, ainda mais da nova geração”, pegar a bagagem da bossa com um de seus criadores para um festival do tamanho do Rock in Rio. — É um show para o festival — conta ela. — Trago as vertentes a que me proponho em “Bossa sempre nova” e também as de “Brutal paraíso”, meu álbum que mistura bossa nova, rock, funk e pop. Para ela, “bossa é sempre algo novo, atemporal”. — Talvez seja musicalmente a coisa mais importante do Brasil em nível mundial. Algo que acontece poucas vezes na história da Humanidade. Ela é mundialmente única, não tem como se repetir. A bossa está espalhada por outros palcos do Rock in Rio hoje. No Sunset, é um dos ingredientes evidentes na mistura sonora de uma jovem sensação do pop mundial, a cantora islandesa Laufey, de 27 anos. E não custa lembrar que o cantor e pianista americano Jon Batiste, 39 anos, premiado autor da trilha sonora da animação “Soul” e atração do Palco Mundo, é um grande fã de Tom Jobim — inclusive, já tendo mostrado saber tocar “Wave” e “Chega de saudade”. No Global Village, a música que João Gilberto e Tom Jobim semearam pelo mundo ainda dá o tom para o encontro de Joyce Moreno (78 anos), Leila Pinheiro (65) e Fernanda Takai (54) — três discípulas da bossa, de diferentes momentos da MPB. — Pretendo abrir a minha parte homenageando João Gilberto, é a minha área, minha história com a música começa muito ali — diz Joyce. — E vai ter minha própria obra como compositora, porque aí tem aquele lance que eu faço que os ingleses chamam de hard bossa. Depois, enfio o pé na jaca do jazz. Cantora de destaque da MPB, revelada nos anos 1980, Leila Pinheiro tem em sua discografia os álbuns temáticos “Bênção, Bossa Nova” (1989, produzido por Roberto Menescal) e “Isso é bossa nova” (1994). Para ela, “quem mergulhar na música brasileira de verdade tem que passar pela bossa”. — Todos os grandes compositores daqueles festivais (da canção dos anos 1960), vieram dali. Foi aquela estupefação com a bossa e nunca mais ninguém conseguiu sair dela — acredita. Outra prova de como a boa canção resiste é a Motown, gravadora americana que se tornou uma das maiores potências mundiais com cantores-compositores como Stevie Wonder, Marvin Gaye, Michael Jackson e Smokey Robinson. Ela será celebrada, no Palco Sunset, pelo paulistano Péricles, 57 anos — ele também um cantautor. — Eu me lembro de que pedi para minha mãe ouvir um samba do Stevie Wonder, que era “You are the sunshine of my life” — conta ele. — A Motown moldou o que a gente entende como música radiofônica. A cresce e essa música vai cada vez mais fazendo parte da vida.

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