Robôs, drones e IA para identificar suspeitos: futuro da segurança nos condomínios da Barra passa pela alta tecnologia

 

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Drones programados para fazer patrulha noturna, robôs de entrega, câmeras e guaritas inteligentes. Se há tempos as grades dos condomínios parecem não dar conta de garantir a segurança nos grandes centros urbanos, as estratégias contra a violência se traduzem agora nos mais modernos avanços tecnológicos. Em novos empreendimentos na Barra da Tijuca, esses aparatos já dão um ar futurista aos residenciais e funcionam como um atrativo capaz de definir uma compra.

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— Os clientes sempre brincam, dizendo que viam estas tecnologias nos filmes futuristas e achavam que era algo muito distante. Agora conseguem ver, demonstrado, como uma tecnologia que reconhece uma arma — conta Niceli Maini, diretora da Calper Construtora, que está construindo o Cidade Arte, bairro planejado de condomínios que serão entregues entre 2027 e 2030.

No estande de vendas, ela apresenta algumas das inovações do projeto na Barra Olímpica, como um drone do modelo DJI Matrice 3TD. O equipamento tem uma câmera grande angular, uma teleobjetiva (para capturar imagens distantes) e uma lente infravermelha, com capacidade de visão noturna e geração de imagens térmicas. No novo empreendimento, drones serão programados para circular sem precisar de pilotos.

— Os drones podem se revezar. Eles terão uma rota já predefinida. Saem de um local, passam na frente de determinados prédios e voltam sozinhos para se carregarem na base. A ideia é que sempre tenha um circulando durante a noite. De dia, vai depender da demanda da equipe — explica Niceli, argumentando que os moradores não precisam se preocupar com a privacidade, já que os equipamentos serão programados para filmarem apenas as áreas comuns do bairro.

Drone DJI Matrice 3TD que estará no Cidade Arte

Divulgação/Calper

O gestor comercial Ricardo Gastal morou ao longo de toda a sua vida na Barra, mas se mudou há pouco mais de um ano para Botafogo. Ele comprou um apartamento no Arte Wave Surf Residences, um dos condomínios do bairro planejado, que pretende alugar e também usar para o lazer de sua família. A segurança foi um dos pontos decisivos para a compra.

— Conheço bem a região. Sei que os fundos do terreno ficam próximos à Cidade de Deus (comunidade dominada pela facção criminosa Comando Vermelho, segundo as autoridades fluminenses), mesmo que tenham me informado que não há acesso para lá. Me tranquilizei quando mostraram o projeto de segurança — avalia ele, surpreso com os itens que compõem o aparato.

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A localização inspirou uma estratégia de segurança em outro condomínio, o Barra Home Design by Feu, que tem previsão para ser entregue no fim de 2028. Duas cancelas automáticas e guaritas, com sensores e câmeras, serão instaladas nas ruas que dão acesso ao residencial, filmando veículos e transeuntes. O projeto foi apresentado à prefeitura e aprovado, segundo a incorporadora Avanço Realizações Imobiliárias, e está sendo chamado por ela de Quadrilátero de Segurança.

— Há dois acessos laterais ao terreno, e no final, uma rua sem saída. Vimos a possibilidade de montar o esquema desta forma e fazer o quadrilátero mais seguro da cidade. Se os condôminos acharem conveniente, ainda podem colocar um segurança ali — destaca Sanderson Fernandes, CEO da Avanço.

Bruno Tubio e sua esposa posam em frente à casa que compraram no Barra Home Design

Arquivo pessoal

Este será um condomínio de casas de três andares. Um dos compradores, o empresário Bruno Tubio reconhece que residências deste tipo demandam maiores cuidados com a segurança, mas entende que também acomodam melhor sua família.

— Tenho uma filha pequena. Fui criado podendo brincar na rua, e quero isso para ela também, dentro de um condomínio tranquilo — explica. — Trabalho com tecnologia, e fiquei impressionado com coisas que eu nem sabia que já eram feitas, como a capacidade de escanear a placa do carro, para saber se ele está sendo procurado, em uma análise de dados muito rápida (o que será feito por câmeras do sistema Gabriel instaladas no entorno do Barra Home Design, em parceria com condomínios vizinhos). A IA é uma revolução, e a tecnologia está evoluindo muito rápido. Acredito que até a entrega do imóvel mais itens de segurança ainda serão incorporados.

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O sistema de câmeras Gabriel é um dos aparatos mais requisitados por moradores, destaca Juliana Furtado, sócia-proprietária da JRF Gestão Condominial:

— Cada vez mais temos sido cobrados nas assembleias sobre questões de segurança, como acionamento por reconhecimento facial e por tag, implantação de câmeras, portarias remotas. Na Barra e no Recreio, a demanda é maior, porque ainda há muitos terrenos (vazios) e também muitas ruas desertas, o que pode aumentar o índice de assaltos.

Cancela e guarita automáticas serão instaladas nos acessos do condomínio Barra Home Design

Divulgação/Avanço

Sistema indica se alguém está armado

No Barra Home Design, uma sala de segurança terá acesso ao circuito interno de vídeos, e os funcionários poderão chamar a polícia. No Cidade Arte, as imagens geradas serão espelhadas para o 31º batalhão, numa parceria com a empresa Rio Alerta. Neste, vinculados a um sistema de monitoramento que usa inteligência artificial, drones e outras câmeras também terão a capacidade de identificar se alguém está portando uma arma branca ou de fogo, além de identificar movimentos considerados suspeitos. Em ambos os casos, serão gerados alertas para a equipe de segurança, que avaliará que medida tomar.

— Uma pessoa que está numa sala com 50 câmeras, por exemplo, não consegue olhar todas. O sistema alerta a orienta — diz Niceli, acrescentando que os moradores também poderão acionar avisos por meio de um aplicativo do condomínio.

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A avaliação de suspeitos feita por robôs gera polêmica ao redor do mundo, na esteira de casos de discriminação. No Cidade Arte, Niceli explica que a própria equipe de segurança treinará a IA para o que ela deve considerar suspeito.

— Podemos ensinar que duas pessoas de moto que se aproximam rapidamente de um pedestre é algo suspeito. Ou que uma pessoa que se direciona bruscamente em direção a outra pode indicar uma briga — exemplifica.

O cadastramento facial de moradores e visitantes e o registro de imagens dos veículos que circularem pelo local também abre para uma série de possibilidades. Uma delas é um morador informar que alguém que esteve em sua casa oferece algum perigo. Ele mostra um boletim de ocorrência por furto, agressão ou violência doméstica para comprovar o que diz, por exemplo, e, se o sistema reconhecer aquela pessoa nas suas dependências, em uma próxima ocasião emite um alerta para a equipe. Embora o condomínio não possa impedir a entrada de qualquer visitante se ela tiver sido liberada por outro morador, a segurança pode ficar atenta.

Robô que fará as entregas de central até a porta de apartamentos do Cidade Arte

Divulgação/Calper

Outra estrela do estande é o Robô Entregador. No Cidade Arte, cada condomínio terá uma Central de Entrega onde um funcionário receberá as encomendas e programará o robô para ir até a porta do apartamento de destino.

— O robô é sincronizado com os elevadores e tem três compartimentos. Depois de programado, ele sozinho chama o elevador e vai até a porta da unidade. Nós o botamos para servir café aqui no estande — conta Niceli, que ressalta que os corretores são obrigados a passar por um treinamento sobre as inovações do empreendimento. — Nas nossas pesquisas, perguntamos por que o cliente fechou a compra, e a segurança tem sido cada vez mais mencionada.

Marcio Cardoso, presidente da Sawala Imobiliária, aponta que a percepção de segurança pode até gerar maior valorização do imóvel:

— O primeiro impacto é na aceleração na decisão de compra. Um pai que vai sair de casa cedo para trabalhar e sabe que a família dele estará resguardada enxerga valor naquele imóvel, tranquilidade, além da valorização do patrimônio, o que tem um impacto direto no investimento dele.

Embora algumas alternativas físicas ainda sejam consideradas — o Cidade Arte também terá guaritas blindadas para os porteiros e os dois residenciais citados nesta reportagem contarão com “pulmões”, sistema em que o visitante fica retido entre duas portas —, a sensação de estar cercado por muros não é agradável. Neste ponto, Niceli avalia que a tecnologia será a principal aliada no aumento da proteção.

— São novos padrões estabelecidos. Valorizamos muito arquitetura e entendemos que criar um bunker não pode ser sempre a solução. Não podemos ficar isolados dentro de muros altos. Temos que usar a tecnologia para criar ambientes fluidos e espaços abertos — diz.

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