Roberto Medina diz que ter grandes nomes é desafio, mas não descarta Pearl Jam e Miley Cyrus no Rock in Rio 2026

Roberto Medina diz que ter grandes nomes é desafio, mas não descarta Pearl Jam e Miley Cyrus no Rock in Rio 2026

 

Fonte: Bandeira



Faltando pouco menos de duas semanas para a abertura da venda geral de ingressos do Rock in Rio 2026 (marcada para o próximo dia 8) e três meses para o início do festival em si, o fundador Roberto Medina, de 78 anos, mais uma vez se vê naquele momento de reflexões sobre a sua criação, que deu seus primeiros passos há 41 anos e, desde então, mudou a face do showbiz brasileiro. A programação foi quase toda anunciada — tem de Elton John, Foo Fighters e Stray Kids a Avenged Sevenfold, Maroon 5 e Twenty One Pilots — mas a sede por um último headliner ainda há de ser aplacada.

— Eu não tenho o controle disso aí, porque cada vez é mais complexa e burocrática essa coisa das grandes bandas. Já vi milhares de anúncios por aí, mas eu nunca nem falei com as pessoas, elas inventam — indigna-se Medina, que hoje é presidente da Rock World, empresa que produz o festival. — Meus amigos já me ligaram para perguntar sobre o Pearl Jam, sobre a Miley Cyrus, e eu digo: “Não, cara, não tô fazendo nada disso!” Às vezes, eu ligo para o Zé (Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World) e digo: “Tu tá falando com o fulano? Ah, tá, porque tem um anúncio hoje e tal...”

Mapa da Cidade do Rock para o Rock in Rio 2026

Divulgação

Então Pearl Jam e Miley Cyrus são opções descartadas?

— Essa é a única coisa que eu não posso falar nunca! — diz ele, aproveitando, de qualquer forma, para anunciar que este ano o Rock in Rio terá um novo Palco Mundo (cenografia com 2,4 mil metros quadrados de painéis de LED de alta definição) e um espetáculo inédito com 20 paramotores, que sobrevoarão o céu da Cidade do Rock ao som da música tema do evento. — Vai ser um negócio bonito, a cara do Rio de Janeiro.

Feliz com os megashows de Madonna, Lady Gaga e Shakira produzidos pela Bonus Track na Praia de Copacabana (“o Luiz Oscar Niemeyer, era meu estagiário na época do Rock em Rio, bebeu muito dali, principalmente no sentido de brigar para que a prefeitura do Rio, o governo do Rio, fossem parceiros dos eventos”, diz), Roberto Medina continua a se espelhar no pai, Abraham Medina (1916-1995), empresário que, entre outros feitos, se notabilizou por ter financiado, anos a fio, a decoração de Natal do Rio de Janeiro.

— Eu quero andar (pela cidade), eu perdi isso. Eu cresci andando, eu atravessava Copacabana de um lado para o outro. Acabou. Hoje você tem medo de sair por aí — lamenta. — A minha utopia é ganhar tempo para que aconteça um grande milagre, que é a gente ter um projeto do Rio de Janeiro de verdade. Que a gente faça de verdade, que os nossos agentes não sejam corrompidos e que eles foquem no que tem que ser focado.

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Perda recente

Este será o primeiro Rock in Rio de Roberto Medina sem o irmão Rubem, político que exerceu mandatos de deputado federal e que faleceu aos 83 anos, no dia 16.

— Ele era político por dentro, no sentido de estar sempre conciliando. Sem ele, o Rock in Rio não saía, ele foi fundamental no sentido de peitar o Brizola (a primeira edição do festival, em 1985, quase foi cancelada devido a embargos da Secretaria Municipal de Obras do governo de Leonel Brizola). O Rubem sempre foi um mediador, um sujeito doce, de um coração gigantesco, e foi criado, como eu, com essa relação com a cidade — conta Roberto Medina.

Em ano de eleição, o empresário diz que “o Brasil precisa de um sacolejo, precisa jogar fora essa dicotomia, de que cada um tem o seu lado e ninguém conversa”.

— A música aproxima, e o que o Brasil está precisando é de se aproximar, de ouvir — defende ele, lembrando que já realizou o festival no meio de uma campanha presidencial. — E as pessoas estavam ali em paz. Esse é um lado bonito da música.

Ano que vem, Medina completa 80 anos (“sou igual um carro clássico, fico melhor com o tempo”, garante) e toca seus dias montando uma vinícola, a Somnium (sonho, em latim), em Areal, na região serrana do Estado do Rio.

— Vou fazer o melhor vinho do Brasil. Com certeza, vai ser um dos melhores do mundo. Agora, por que eu faço isso, por que eu estou investindo nisso? Porque o enoturismo tem um ticket muito maior do que o turismo normal — argumenta o incansável carioca.