RJ: três dias após operação da PM, comércio segue fechado e moradores relatam medo no Rio Comprido

 

Fonte:


Os moradores e comerciantes do entorno da Praça Condessa Paulo de Frontino, no Rio Comprido, no Rio de Janeiro, seguem passando por um momento de tensão após a operação da Polícia Militar desta quarta-feira (18) que deixou 8 mortos, incluindo o morador Leandro Silva Souza, de 30 anos, e o criminoso Claudio Augusto dos Santos, de 55 anos, apontado como um dos chefes mais antigos do Comando Vermelho e conhecido como "Jiló dos Prazeres".

Nesta quinta-feira (19), quando a reportagem da CBN esteve presente no local, um homem de moto passou gritando para que os comércios fechassem as portas por causa dos velórios dos criminosos que foram mortos pela PM na operação. Então, são dois dias de comércio praticamente todo fechado na região.

Uma trabalhadora de uma loja próxima à Praça Condessa Paulo de Frontin conversou com a reportagem sob condição de anonimato. Ela contou que o fluxo de clientes desta sexta-feira (20) está muito baixo após dois dias com a loja fechada. A comerciante relatou a tensão que a região tem passado nos últimos dias:

"Eles não chegaram a falar nada com a gente. A gente só fechou mesmo por medo e, por estar todo mundo fechando as lojas, a gente ficou com medo de ficar sozinha. Hoje o clima continua um pouco tenso, porém está melhorando. Mas ainda continua a polícia passando toda hora".

No início da manhã desta sexta-feira foi possível ouvir uma queima de fogos vinda do Morro dos Prazeres, uma das comunidades em que os PMs atuaram na operação de quarta.

Após a morte de Jiló dos Prazeres e de outros seis suspeitos, diversas áreas do Rio Comprido e regiões próximas foram palco de retaliações nos últimos dois dias. Ônibus foram sequestrados e atravessados na pista e um dos coletivo foi queimado.

Uma outra trabalhadora, também sob condição de anonimato, contou que tem sido difícil até voltar pra casa diante da violência que atingiu a região nos últimos dias:

"Então, os tiros, assim, já começaram de manhã cedo, sendo que eu não consegui vir trabalhar na quarta-feira, porque realmente ficou um clima bem tenso, bastante violência. Todo mundo com medo na região mesmo, entendeu? E os comerciantes que abriram fecharam, até porque mandaram, né? E ontem eu vim trabalhar também, mandaram fechar novamente. Fiquei com medo até de voltar para casa, porque realmente fica bem perigoso e a rua fica deserta, quase ninguém na rua, porque todo mundo realmente fica com medo de sair".

Os moradores e comerciantes tentam seguir a vida mesmo após dois dias de muita violência. A reportagem da CBN conversou com outras pessoas no local, mas a maioria dos trabalhadores e moradores da região não quis gravar entrevista por medo de retaliação.

Uma senhora disse ter passado os últimos dois dias trancada dentro de casa com medo e que tem tomado remédio para conseguir dormir. Outro comerciante disse para a reportagem que está com medo de como serão os próximos dias. Uma trabalhadora contou que não ganha salário, apenas comissão, e que os dois dias em que a loja em que trabalha ficou fechada podem ter custado uma boa parte do dinheiro dela pra passar o mês.

Uma viatura da PM segue em frente à praça e outras duas viaturas do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão têm circulado pelo local.