Rivais históricos desfilam juntos em Santa Teresa: Bafo da Onça celebra 70 anos com Cacique de Ramos

 

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Pela primeira vez em sua história, o tradicional Bafo da Onça trocou o Centro do Rio por Santa Teresa — e a mudança já começou com casa cheia. Na manhã desta segunda-feira, a concentração no centro reunia entre 4 mil e 5 mil pessoas, segundo a organização, com expectativa de triplicar o público em relação aos últimos desfiles na Avenida Chile, mas, agora, em Santa Teresa. O novo cenário marca também outra estreia simbólica: no ano em que completa 70 anos, o bloco recebe dentro do cortejo o histórico rival Cacique de Ramos.

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Vice-presidente do Bafo, Robson Patroneli, de 33 anos, afirmou que a decisão de deixar o Centro foi motivada por questões práticas.

Alegria nas alturas no desfile do tradicional bloco Bafo da Onça

Roberto Moreyra

— Aqui você está em casa. Estamos nos pés da nossa quadra, que fica na subida da ladeira de Santa Teresa. A decisão de vir para cá foi por falta de segurança na Avenida Chile, falta de infraestrutura, não tem banheiro. Está bem precário, e os assaltos no Centro estão sendo muito noticiados. Até o nosso público está com medo de ir pra lá — disse.

A aposta, segundo ele, é que o ambiente mais acolhedor atraia ainda mais foliões.

— Pelo que estou vendo aqui na concentração, já temos 4, 5 mil pessoas —, afirmou.

O repertório mantém os clássicos que atravessam gerações. Entre mais de cem sambas do bloco, um dos mais aguardados é o tradicional “Nessa onda que eu vou, olha a onda… é o Bafo da Onça que acabou de chegar”, entoado em coro pelos foliões.

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A grande surpresa do desfile, porém, é a participação inédita do Cacique de Ramos, bloco que protagonizou rivalidades intensas com o Bafo nas décadas de 1960 e 1970. Presidente do Cacique, Luiz Carlos Lima, o Boneco, de 53 anos — há 49 à frente da agremiação — definiu o momento como histórico.

Bafo e Cacique lado a lado nas ladeiras de Santa Teresa

Roberto Moreyra

— É uma coisa de união. A rivalidade foi forte nas décadas de 60 e 70, o bicho pegava. Mas o tempo passou, muitos blocos acabaram e a gente ficou. Isso que está acontecendo aqui é história — afirmou.

Ele relembra que o Cacique já chegou a desfilar com 8 mil componentes, viu o número cair para cerca de 400 no fim dos anos 1990 e voltou a crescer a partir de 2011, com a retomada do carnaval de rua impulsionada pelos megablocos. Neste ano, o grupo levou cerca de 2 mil componentes à Avenida Chile e mantém mais de 100 alas, além da ala de camisa.

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O desfile também é marcado pela emoção. Boneco lembrou que 2026 é o primeiro carnaval sem Bira Presidente, fundador e símbolo do Cacique, morto no ano passado.

— É um ano muito especial e dolorido. A gente sabe da luta do Bira para botar esse bloco na rua. Reerguer o Cacique e ver essa união acontecendo é algo grandioso e marcante — disse.

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Roberto Moreyra

A parceria entre as duas agremiações simboliza uma nova fase do carnaval carioca, com blocos históricos buscando revitalização e diálogo. Em Santa Teresa, entre ladeiras e casarões, o encontro que antes parecia improvável foi celebrado como sinal de maturidade e resistência cultural.

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— O público pode esperar muita união. É uma honra desfilar com o Bafo aqui dentro do Cacique. É só alegria — resumiu Boneco.

Com público estimado em 5 mil pessoas e clima de confraternização, o Bafo da Onça transforma o aniversário de 70 anos em reencontro com suas raízes — e prova que, no carnaval, até rivalidade pode virar samba em conjunto.


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