'Ritimo': Mocidade e Tuiuti perdem pontos com justificativa igual de jurado
Com a divulgação das justificativas das notas dos jurados pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) na quinta-feira, revelaram-se os detalhes que traçaram o destino de cada agremiação do Grupo Especial do Rio. A Mocidade Independente de Padre Miguel, que amargou a penúltima colocação, e o Paraíso do Tuiuti, em 9ª, por exemplo, foram penalizadas em um décimo por um mesmo jurado de bateria com justificativas duplicadas. Em ambas, inclusive, grifou a palavra ritmo com um erro de escrita, escrevendo "ritimo".
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Hélcio Eduardo da Silva penalizou as agremiações no subquesito “criatividade e versatilidade”. Segundo o julgador, as bossas apresentadas por Mocidade e Tuiuti foram criativas, versáteis e bem executadas, porém apresentaram “grau mediano de dificuldade”, o que resultou no desconto de 0,1 ponto da nota final. O critério adotado por Silva, no entanto, soa pouco consistente: ao avaliar a Estação Primeira de Mangueira, ele afirmou que a escola executou bossas “com grau de dificuldade baixo” e aplicou exatamente a mesma penalização.
A Mocidade recebeu mais um 9,9 em bateria, mas foi descartado, como manda o regulamento. Este foi de Nelson Pestana, no terceiro módulo. Ele apontou que, no quesito criatividade e versatilidade, a massa crítica sonora da bateria perdeu a sua manutenção regular. Os naipes de chocalho e caixas sem uma definição precisa prejudicaram o entendimento rítmico-melódico do conjunto bateria e samba enredo, segundo argumentou o jurado.
Reclamações
Desde a publicação das justificativas, a Mocidade tem sido uma das escolas que mais questionaram as avaliações. A verde e branca de Padre Miguel perdeu pontos no enredo por associar Rita Lee, a homenageada da verde e branco da Zona Oeste, ao título de "padroeira". O argumento é da jurada Mônica Mançur, que pontuou a escola em 9,6 no quesito, tirando quatro décimos.
"A associação da figura de Rita Lee a qualquer título de ordem convencional (religiosa ou não), como no caso de "Padroeira", desconstrói o recorte libertário do enredo apresentado. Por esta razão, retira-se um décimo", explicou a jurada.
A justificativa gerou controvérsia e provocou críticas da escola, que foi às redes sociais reclamar.
"As justificativas começaram a ser divulgadas, e, na primeira que recebemos, a da jurada Mônica Mançur, que nos deu 9,6 em enredo, encontramos em uma das justificativas que o termo "Padroeira" desconstruiria o enredo. Ela só esqueceu de ler que a própria Rita Lee se chamava assim", queixou-se a escola, em post no Instagram.
Uma das maiores vozes da música brasileira inspirou a estrela-guia de Padre Miguel. O enredo "Rita Lee, a padroeira da liberdade" homenageou a cantora, que morreu em 2023, aos 75 anos. Numa entrevista à revista "Rolling Stone", ela falou sobre o apelido.
"Gosto mais de ser chamada de 'padroeira da liberdade' do que 'rainha do rock', que acho um tanto cafona", afirmou.
Perda de pontos no abre-alas
Os outros três décimos em enredo foram tirados pela jurada em virtude do que considerou falhas em diferentes alegorias, como a do setor 6, que se propôs a revelar as muitas faces de Rita Lee: a roqueira, a mística, a ativista, a escritora, a defensora dos animais, a aliada das minorias e a observadora crítica do mundo.
"Há considerável perda da figura central (Rita Lee) em meio à multiplicidade apresentada, o que comprometeu o sentimento de continuidade (coesão) em relação aos quadros anteriores e posteriores", disse Mônica Mançur.
A Mocidade totalizou 267,4 pontos, à frente apenas da Acadêmicos de Niterói, que, com 264,6, retornou para a Série Ouro.
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