Risco de perda de visão leva pacientes à Justiça contra fabricantes de canetas emagrecedoras nos EUA

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Dezenas de pacientes entraram com processos nos Estados Unidos contra as farmacêuticas Novo Nordisk e Eli Lilly, fabricantes canetas emagrecedoras da classe GLP-1 usadas no tratamento de diabetes e obesidade. Os autores das ações alegam ter sofrido perda repentina da visão após utilizarem produtos como Ozempic, Wegovy e Zepbound. Os processos mencionados pela reportagem do The Wall Street Journal foram apresentados à Justiça norte-americana, mas não representam uma conclusão das autoridades de saúde sobre a segurança dos medicamentos nem estabelecem, até o momento, uma relação de causa e efeito entre os tratamentos e os problemas de visão. Os pacientes afirmam ter desenvolvido neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida pela sigla NAION. A condição ocorre quando há redução do fluxo de sangue para o nervo óptico e pode provocar perda súbita e, em alguns casos, permanente da visão. Diabetes, hipertensão e determinadas características anatômicas do nervo óptico estão entre os fatores associados ao problema. As ações sustentam que as farmacêuticas não teriam alertado adequadamente médicos e consumidores norte-americanos sobre o possível risco. As bulas dos medicamentos nos Estados Unidos não incluem atualmente uma advertência específica sobre a NAION. Informações relacionadas à condição, porém, foram acrescentadas ou exigidas por autoridades regulatórias na União Europeia, no Reino Unido, no Japão e na Austrália. A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, investiga uma possível associação entre os tratamentos e a doença ocular. No Brasil, os efeitos adversos descritos nas bulas variam de acordo com o medicamento. Entre os mais frequentes estão náusea, vômito, diarreia, constipação e dor abdominal. A queda de cabelo também é mencionada em alguns produtos, como o Wegovy, mas não pode ser atribuída a todos os medicamentos da classe. Possíveis impactos sobre a saúde mental, incluindo sintomas de depressão, continuam sendo investigados, embora ainda não haja consenso sobre uma relação direta com o uso desses tratamentos. Estudos apresentam resultados diferentes Algumas pesquisas identificaram uma frequência maior de NAION entre pessoas que utilizaram semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. Outros estudos, entretanto, não encontraram aumento estatisticamente significativo do risco. Em 2025, a Agência Europeia de Medicamentos concluiu que a NAION poderia ser um efeito colateral muito raro da semaglutida, com possibilidade de atingir até um em cada 10 mil usuários. O órgão europeu recomendou que as informações dos produtos fossem atualizadas. As evidências científicas disponíveis, no entanto, ainda são consideradas inconclusivas. Estudos observacionais podem identificar associações, mas não comprovam necessariamente que o medicamento tenha provocado o problema. A própria obesidade e o diabetes, condições apresentadas por parte dos usuários, também estão relacionados a alterações vasculares e oculares. A Novo Nordisk e a Eli Lilly contestam as acusações e afirmam que seus medicamentos são seguros quando utilizados conforme as indicações aprovadas. As empresas citam pesquisas que não identificaram aumento do risco e sustentam que os benefícios dos tratamentos continuam superiores aos possíveis efeitos adversos. As farmacêuticas também argumentam que decisões de indenização ou registros individuais não comprovam que os medicamentos tenham causado a perda de visão. O debate ocorre em meio à rápida expansão dos tratamentos GLP-1. Desenvolvidos inicialmente para controlar o diabetes tipo 2, esses medicamentos ganharam espaço no tratamento da obesidade por reduzirem o apetite e contribuírem para a perda de peso. As ações judiciais ainda estão em andamento nos Estados Unidos. Caberá à Justiça norte-americana avaliar se as fabricantes conheciam o possível risco, se deveriam ter incluído advertências adicionais e se os medicamentos tiveram participação nos problemas relatados pelos pacientes. Mais Lidas

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