Rio vai usar helicópteros de guerra em operações policiais: governo compra Black Hawk blindado; conheça a aeronave
O governador Cláudio Castro assinou, nesta quarta-feira, o contrato de aquisição do helicóptero bimotor Black Hawk, que será usado em ações da Polícia Militar. A assinatura foi feita durante a cerimônia de formatura de 474 novos soldados da Polícia Militar. O grupo integra o contingente de mil novos soldados já formados para atuação nos batalhões da PM em todo o estado.
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Helicóptero Black Hawk (UH-60) das Forças Armadas de Israel
Reprodução
O Governo do Estado adquiriu a aeronave militar americana Black Hawk para auxiliar no combate ao crime organizado. O blindado militar americano tem capacidade para transportar até 15 pessoas, sendo 11 soldados totalmente equipados e quatro tripulantes, e pode chegar a mais de 200 km/h. O prazo de entrega da aeronave é de 180 dias e o investimento foi de mais de 70 milhões.
Evacuação médica, transporte logístico ou operações especiais
O helicóptero Black Hawk (UH-60) é uma das aeronaves mais emblemáticas das forças armadas dos Estados Unidos e tem sido amplamente utilizado em guerras e operações militares desde sua introdução na década de 1970. O interior é projetado para missões militares multifuncionais, com foco na praticidade e na resistência em ambientes de combate. Na cabine de comando, os assentos do piloto e copiloto ficam lado a lado, cercados por um painel de instrumentos que combina controles analógicos e digitais para navegação, comunicação e operação de sistemas.
Helicóptero UH-60 Black Hawk do Exército Brasileiro
Exército Brasileiro
Grandes janelas oferecem ampla visibilidade, e parte da estrutura é levemente blindada para proteger os tripulantes contra disparos de armas leves. Na parte traseira, a cabine de tropas acomoda entre 11 e 14 soldados sentados em bancos laterais, com espaço central livre para equipamentos, macas ou carga. Dependendo da missão, o interior pode ser adaptado para evacuação médica, transporte logístico ou operações especiais.
— A formação desses policiais é a resposta que a sociedade merece. Queremos um Rio de Janeiro fortalecido, principalmente na área da segurança pública. No início da semana, foi dado o pontapé para que a Polícia Militar iniciasse seu processo de reestruturação, algo que não acontecia há mais de 50 anos. Agora, teremos mais policiais para integrar os batalhões e atuar nas ruas — comentou o governador Cláudio Castro.
Portas laterais deslizantes permitem acesso rápido e podem ser equipadas com metralhadoras. O ambiente é simples, sem climatização, com materiais resistentes a impacto e fogo, refletindo a prioridade militar por durabilidade e eficiência.
Maior capacidade, potência e robustez
Atualmente, a Polícia do Rio utiliza os helicópteros Bell Huey II, AW-169 e AW119, da italiana Leonardo, e o brasileiro Helibras H-125, modelos que só contam com blindagem na parte inferior e nas laterais. Já o UH-60 Black Hawk, tem maior capacidade, potência e robustez para as operações urbanas.
Um paraquedista do Exército dos EUA, ao centro, dá comandos às tropas americanas e aos soldados alemães dentro de um helicóptero UH-60 Black Hawk
Pfc. Emily Houdershieldt
O uso de aeronaves em operações foi um dos grandes pontos de discussão do recente julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635 — a chamada ADPF das Favelas. ONGs apontam que ela traz prejuízos inclusive à saúde mental dos moradores. O governo defendia a retomada da utilização desses equipamentos como base de tiros, o que estava restrito até então pela ADPF. O Supremo Tribunal Federal (STF) acabou flexibilizando esse ponto, ao permitir a presença deles com essa finalidade.
No Brasil, o Black Hawk é usado por Exército, Aeronáutica e Marinha, totalizando 26 exemplares disponíveis. Hoje, mais de 4.000 exemplares do Black Hawk estão em operação no mundo, sendo o Exército dos EUA o maior operador do modelo, com cerca de 2.135 unidades.
Chefes de equipe do Exército dos EUA recarregam cartuchos de munição dentro de um helicóptero UH-60 Black Hawk
Sargento Mestre Mark Olsen/DOD
Ao longo dos anos, o Black Hawk esteve presente em diversos conflitos internacionais, incluindo a Invasão do Panamá (1989), a Guerra do Golfo (1990–1991), a intervenção na Somália (1993), as guerras do Afeganistão e do Iraque, além de operações recentes contra grupos extremistas na Síria, no Iraque e em regiões da África.
"Black Hawk Down"
As características técnicas do Black Hawk reforçam sua versatilidade e resistência em campo de batalha. A versão básica UH-60L, por exemplo, possui dois motores General Electric T700-GE-701C, que oferecem potência para alcançar velocidades de até 294 km/h e uma autonomia de voo de aproximadamente 590 km (podendo ser estendida com tanques auxiliares).
Metralhadora M-134D-H montada no helicóptero UH-60 Black Hawk da FAB
Sargento Rezende/Força Aérea Brasileira
Ele é capaz de transportar até 11 soldados totalmente equipados, além de 4 tripulantes (piloto, copiloto e dois operadores de armamento). O helicóptero também pode ser equipado com metralhadoras M240 de 7,62 mm em ambos os lados e pode receber blindagem adicional e sistemas de contramedidas eletrônicas.
A fama da aeronave foi consolidada no episódio de 1993 em Mogadíscio, na Somália, quando dois helicópteros foram abatidos durante uma missão das forças especiais americanas — episódio que inspirou o livro e o filme Black Hawk Down.
Novos soldados
O evento foi realizado no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap), em Sulacap, na Zona Oeste do Rio. Durante a solenidade, Castro destacou o compromisso do Governo do Estado com a valorização profissional e com investimentos significativos na área da segurança pública, que ultrapassam R$ 4 bilhões em tecnologia.
— É importante destacar que, hoje, o policial militar já sai da formação com sua própria arma. Antes, eram utilizados materiais sucateados, que estavam há anos na corporação. Agora, estamos fazendo tudo diferente, valorizando mais os agentes de segurança — completou Cláudio Castro.
Esta é a terceira turma dos dois mil alunos aprovados no concurso de 2024. Posteriormente, o governador autorizou a convocação de mais dois mil candidatos, respeitando a ordem de classificação. Ao todo, quatro mil candidatos foram chamados para o Curso de Formação de Praças.
— Todos aqui estão preparados para cumprir a nobre missão de um policial militar de servir e proteger a sociedade. A segurança é um pilar fundamental para o desenvolvimento econômico e as conquistas sociais do nosso país. O concurso público que selecionou essa nova geração de soldados é mais uma marca na gestão da segurança — afirmou o Secretário de Estado de Polícia Militar, Marcelo de Menezes.
Atualmente, mil soldados já concluíram a formação, incluindo os 474 formandos desta quarta-feira. Outros 1.500 candidatos seguem em formação no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), enquanto os 1.500 restantes serão integrados de forma gradual ao longo dos anos de 2026 e 2027.
