Rio vai testar drone para evitar afogamentos e bicicletas aquáticas para limpar lagoas

 

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Uma bicicleta aquática elétrica que retira lixo de lagoas, ao mesmo tempo em que recolhe amostras para avaliar a qualidade da água; e um drone programado para identificar e arremessar botes salva-vidas em direção a banhistas que estão se afogando. Esses são apenas dois projetos criados pela iniciativa privada que a Prefeitura do Rio vai começar a estudar uma regulamentação para testar a viabilidade das ideias. Há ainda planos para ampliar o projeto de CEPs digitais em comunidades e um aplicativo para localizar crianças perdidas nas praias. As propostas estão entre dez selecionadas para a terceira edição do programa Sandbox.Rio, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico.

Os projetos selecionados estão sendo apresentados nesta quinta-feira, na sede do Porto Maravalley, no Santo Cristo, pelo prefeito Eduardo Cavaliere. Classificado em primeiro lugar no processo seletivo organizado pelo município, o projeto da BiClean levou dois anos entre a concepção e a obtenção da patente. A ideia do inventor é iniciar os testes com quatro unidades em uma base na altura do Parque dos Patins na Lagoa Rodrigo de Freitas, em data ainda a ser definida pelo município que vai autorizar os testes para criar um marco regulatório.

A eletricidade para operar os equipamentos que vão coletar resíduos e recolher amostras de água virá de um painel solar e da disposição de curiosos em pedalar para testar o aparelho.

— Um dos objetivos é promover a educação e a consciência ambiental de que o lixo despejado irregularmente vai parar em rios e lagoas. Devemos oferecer algum brinde com base no volume de lixo recolhido — explicou o criador do BiClean, Marcius Victório da Costa.

No caso dos drones, eles levariam botes por meio de cordas até a pessoa que está se afogando, podendo transportar a bordo um soldado salva-vidas do Corpo de Bombeiros. Resgatada a vítima, o drone arrastaria o bote até a areia. A empresa Aero Labs, responsável pelo projeto, afirma que o drone poderia chegar ao afogado até mais rápido que uma moto aquática dos bombeiros, pois pode chegar a 72km/h. A ideia é iniciar um projeto piloto pelo Recreio dos Bandeirantes.

A startup na Porta pretende criar uma espécie de versão 2.0 das pulseiras de identificação de crianças perdidas na orla. As pulseiras teriam um QR code integrado a uma rede digital de barraqueiros. Por meio de um aplicativo chamado Praia Unida, o responsável vai alertar os barraqueiros de que há uma criança perdida. Qualquer um desses ambulantes poderá confirmar a identificação se seria o menor perdido, escaneando a pulseira e localizando a família. Inicialmente, o projeto piloto seria desenvolvido nas praias do Leme e no Leblon.

— Nessa nova etapa, a gente ampliou o alcance do programa, escolhendo tecnologias que podem trazer impacto positivo na vida da população. No processo seletivo, criamos um sistema de pontuação que concede uma nota maior para programas que serão desenvolvidos fora da Zona Sul — disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima.

Uma dessas propostas para áreas de menor poder aquisitivo está a ampliação do projeto CEP Digital, iniciada por um piloto na Favela do Vidigal pela startup naPorta. Com auxílio de mapas do Google, a favela foi georreferenciada para a entrega de encomendas e correspondências.

Nas outras edições, várias propostas vingaram e foram definidas regras para implantar os serviços. Uma delas, da segunda edição, foi a regulamentação do uso de patinetes elétricas alugadas. As regras demarcaram áreas de uso na cidade e os equipamentos são dotados de uma espécie de sensor que desativa o aparelho caso saiam das rotas programadas.

Outra iniciativa que vingou foi a definição de regras menos burocráticas do que são exigidas para um posto de combustíveis comum no caso de eletropostos, que apenas recarregam carros elétricos. Inicialmente, foram autorizados dois pontos e o serviço deve ser ampliado.

Os outros projetos:

Programa de Controle de Vetores (FUM) que prevê o uso de motocicletas com um sistema dual (nebulização e pulverização) e monitoramento por Inteligência Artificial para o controle de vetores de doenças (como dengue) em áreas de difícil acesso, como comunidades e vielas.

ColdLog, um projeto de logística para a entrega de medicamentos e vacinas que exigem manter os insumos em baixa temperatura. Módulos refrigerados seriam acoplados a motocicletas elétricas com sistema de rastreamento da temperatura em tempo real.

Eletromobilidade multimodal Rio. A ideia é integrar, em um único local, recarga ultrarrápida (120 kW) e normal (7 kW) para veículos, tomadas para bicicletas e motos elétricas, estação de troca de baterias e cobertura com painéis fotovoltaicos.

HRios CoreStation 4.0. O programa prevê a implantação no Canal do Mangue de uma estação flutuante autônoma, com autonomia energética e IA embarcada, projetada para a coleta de resíduos sólidos e o monitoramento da qualidade da água em rios e afluentes.

Aliança Cidade propõe desenvolver no Centro do Rio um programa chamado de Áreas de Revitalização Econômica (Ares), onde a iniciativa privada aportaria mais recursos em segurança, limpeza e urbanismo, complementando investimentos públicos. O modelo tomaria como base um projeto piloto que a entidade desenvolveu na Rua São José

Bettair. A proposta é implantar um sistema de monitoramento ambiental em áreas da Zona Norte e Oeste, usando uma rede de sensores para medir a qualidade do ar e os níveis de ruído. A tecnologia seria instalada no mobiliário urbano e forneceria dados em tempo real para a implantação de políticas públicas.