Rio vai sediar em junho evento internacional sobre mudanças climáticas, já realizado em Nova York e Londres

 

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A proposta é dar ao Rio de Janeiro lugar de destaque nas discussões sobre mudanças climáticas que envolvem o chamado Sul Global — expressão que vai além de limites geográficos e agrega cerca de 150 estados, hoje unidos por desafios socioeconômicos e pela busca de mais espaço no cenário internacional. A primeira edição da Rio Nature & Climate Week, que acontece na cidade entre os dias 1º e 6 de junho, já tem representantes confirmados de mais de 30 nações da América Latina, da África e da Ásia. A programação de conferências e debates vai ocupar o Píer Mauá e o Museu do Amanhã, entre outros pontos da cidade.

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Modelo nova-iorquino

Serviram de referência eventos como a New York Climate Week, que acontece em setembro e coincide com a Assembleia Anual da Organização das Nações Unidas (ONU). Lá como cá, a semana será encerrada com apresentação musical ao vivo. Nos Estados Unidos, atrações como Coldplay, Demi Lovato e Duran Duran fizeram shows no Central Park. Por aqui, os convidados e o local do palco a ser montado ao ar livre — na orla da Zona Sul — devem ser anunciados amanhã. A organização adianta que serão dois artistas brasileiros e um estrangeiro ligados a causas ambientais.

—Da ECO 92, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, à C40, a Cúpula Mundial de Prefeitos realizada no ano passado, o Rio tem mantido o protagonismo nos debates ambientais. Queremos levar adiante a liderança da cidade, agora nos debates do Sul Global — explica Rodrigo Medeiros, presidente do Instituto Natureza Clima e Brasil, responsável pelo evento.

Medeiros diz que já estão garantidas cinco edições anuais da Rio Nature & Climate Week. A programação de estreia ainda será detalhada, mas sabe-se que haverá exibição de documentários sobre clima e eventos paralelos para discussão de questões locais: os projetos selecionados receberão subsídio de R$ 10 mil e serão conhecidos na próxima segunda-feira.

Entre os convidados já confirmados está o pesquisador brasileiro Carlos Nobre, referência mundial em estudos sobre as mudanças do clima.

—O papel das cidades é fundamental. E o Rio liderar esses debates também. As cidades podem minimizar o problema, criando, por exemplo, legislação que incentive a construção de telhados verdes e a recuperação da vegetação nativa, dentro do conceito de cidade-esponja — observa o climatologista.

Exemplo local

Um exemplo de iniciativa ambiental pública e local será formalizado hoje. O prefeito Eduardo Cavaliere assina com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a adesão ao programa Floresta Viva, que prevê o aporte de recursos para apoiar projetos de restauração da Mata Atlântica, confirmando uma parceria anunciada na COP 30, realizada no fim do ano passado, em Belém, no Pará.

Os R$ 10 milhões previstos — metade dos cofres do município e o restante oriundo do BNDES — vão abastecer um novo fundo ambiental cujas regras de aplicação serão definidas em projeto de lei a ser votado na mesma semana em que acontece a Rio Nature & Climate Week.

— Nessa parceria com o BNDES, o primeiro aporte será para um programa de reflorestamento na Área de Relevante Interesse Ecológico da Serra da Posse (Zona Oeste do Rio), próximo ao Túnel Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande, inaugurado em março — explica a vereadora e ex-secretária de Meio Ambiente da prefeitura Tainá de Paula (PT), autora do projeto de lei.

A importância das cidades na discussão sobre mudanças climáticas é ressaltada por Sérgio Besserman, professor de Desenvolvimento Sustentável do Departamento de Economia da PUC-RJ:

— As mudanças já são realidade, não é possível impedi-las, mas é necessário ter ações para mitigá-las. Esse é o maior problema do século XXI, maior do que a regulamentação da inteligência artificial — alerta Besserman.

O especialista, que também estará no evento, avalia que Rio e Niterói estão entre as cidades brasileiras que mais se prepararam para essa realidade, mas ainda há muito a fazer.

Também confirmada no evento — ao lado de nomes como o ex-primeiro ministro português José Manuel Durão Barroso, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Ilan Goldfajn, a ativista indígena equatoriana Helena Gualinga e o presidente da COP30, André Corrêa do Lago —, a deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP) afirma:

—O evento deve discutir justamente a conexão entre clima, biodiversidade e justiça social. A cidade tem papel muito importante nessa história justamente porque na Rio 92 nasceram os grandes acordos ambientais.

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