'Rio livre de helicópteros sem lei': protesto na Lagoa vai pedir fim de voos em áreas residenciais

Fonte: Bandeira da fonte

Associações de moradores e outras entidades civis marcaram para este domingo (30), às 10h, no heliponto da Lagoa, um protesto com o mote "Rio livre de helicópteros sem lei".
O grupo pede o fim dos voos em áreas residenciais e fiscalização mais rigorosa das empresas responsáveis por passeios panorâmicos, para evitar acidentes como o que matou quatro pessoas no início deste mês.

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A Associação dos Moradores da Urca (Amour), uma das entidades participantes, afirma que o grupo não é contrário à atividade turística, mas critica o excesso de barulho e a insegurança que a atividade traz.
Em post em seu perfil no Instagram, a Amour relata que vem pedindo a restrição de voos de helicóptero em áreas residenciais há décadas e que, em 2012, participou de uma mobilização que teve o apoio de Carlos Minc, então secretário estadual de Meio Ambiente, e resultou no fechamento de helipontos utilizados para voos turísticos no Pão de Açúcar, no Morro Dona Marta e na Lagoa.
Segundo a entidade, porém, apenas o heliponto do Dona Marta permaneceu fechado.
TAC não cumprido
Em 2024, após uma representação apresentada ao Ministério Público Federal, participantes do movimento integraram as discussões que resultaram em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com empresas que realizam voos turísticos.
O acordo estabeleceu uma série de regras para as operações, como limites de altitude, distanciamento do Cristo Redentor, proibição de voos pairados e procedimentos destinados a diminuir o impacto das aeronaves sobre áreas residenciais.
No entanto, segundo a Amour, as medidas não foram suficientes para resolver o problema, e as regras previstas no acordo não estão sendo cumpridas integralmente.
A associação relata que moradores continuam convivendo com aeronaves em baixa altitude e com o ruído provocado pela frequência dos passeios.
“Não somos contra o turismo.
Somos contra o barulho excessivo, a insegurança e o desrespeito a quem mora na cidade”, afirma a a associação.
Procurados para comentar, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) não retornaram até a publicação desta reportagem.
Acidentes recentes
A preocupação com os voos de helicóptero ganhou peso após dois acidentes recentes na cidade.
Em junho, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste, seis pessoas morreram depois que dois helicópteros de pequeno porte colidiram no ar e caíram em uma área próxima à Avenida das Américas.
O acidente também provocou um incêndio no local.
Entre as vítimas estavam o cantor americano Oliver Tree Nickel.
Pouco mais de um mês depois, em 8 de agosto, quatro pessoas morreram na queda de outro helicóptero, desta vez na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista.
A aeronave, um Robinson R44 operado pela Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos Ltda., caiu em uma área de mata de difícil acesso.
Morreram o piloto Alessandro Rocha e as turistas colombianas Rocio Cubillos, Sofia Murillo e Wendy Manrique.