Rifado pelo Republicanos, Cleitinho desafia partido, defende candidatura ao governo e reage a críticas: 'Conversa fiada'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmou nesta quarta-feira que manterá sua candidatura ao governo de Minas Gerais, apesar da decisão do Republicanos de retirar seu nome da disputa e construir uma aliança para apoiar o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP).

Em entrevista coletiva em Divinópolis, o parlamentar confirmou que concorrerá ao lado do ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão como candidato a vice, negou que tenha hesitado em disputar a eleição e classificou como "um bando de conversa fiada" as justificativas usadas por opositores para descartá-lo. — Sou candidato a governador junto com o Falcão como vice. Tem quase 50% da população mineira que quer que eu venha candidato a governador. O senador contestou a versão apresentada pelo Republicanos de que teria demorado a assumir a candidatura e afirmou que existia um entendimento prévio com a cúpula da legenda para que o lançamento oficial ocorresse apenas no próximo dia 5 de agosto. Segundo Cleitinho, até então não havia qualquer sinal de que o partido desistiria de seu nome. — Não concordo com a nota do Republicanos. Ontem mesmo saiu uma pesquisa dizendo que eu lidero em todos os cenários. Desde o ano passado estou mostrando as pesquisas e dizendo para a direita se unir. Sempre disse que, se chegasse em agosto liderando as pesquisas, seria candidato. A voz do povo é a voz de Deus. Na coletiva, Cleitinho afirmou que foi surpreendido pela decisão anunciada pelo partido e disse não entender o que mudou nas negociações entre terça e quarta-feira. Apesar das críticas, afirmou que ainda tentará reverter a situação em uma conversa com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. Ele também disse respeitar o dirigente da legenda e entender a procura por outros candidatos diante de sua indefinição. — Foi combinado com eles que eu ia lançar no dia 5. Não sei o que aconteceu de ontem para hoje. Estou tentando sentar com o Marcos Pereira para conversar com ele. Vamos tentar conversar com ele de todo jeito amanhã para tocar o coração dele. O senador também atribuiu a demora para oficializar a candidatura ao tratamento de saúde e à morte do irmão mais novo, Matheus Azevedo, no último dia 18. Segundo ele, a família enfrentou meses difíceis desde que a leucemia voltou a se manifestar, no início do ano, e o Republicanos ignorou esse contexto ao questionar seu compromisso com a disputa. — Eu só lancei minha candidatura agora porque minha família tem trauma com câncer. Meu irmão teve leucemia. Em janeiro voltou. Ele ficou mais de 40 dias internado no hospital. Eles não respeitaram nem o meu luto, nem a minha dor. Ao rebater as críticas feitas por integrantes de seu campo político, que passaram a classificá-lo como um político instável e colocaram em dúvida sua disposição para disputar o governo, Cleitinho elevou o tom. — Foi um bando de conversa fiada. Dizendo que estou com medo de ser candidato, de prometer e não cumprir. Eu não sou vocês, vagabundos. Eu não tenho lobby com patifaria. O que eu prometer eu vou cumprir. As declarações ocorrem no momento em que Cleitinho enfrenta a maior crise política desde que iniciou as articulações para disputar o Palácio Tiradentes. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, o Republicanos decidiu retirar seu nome da disputa e passou a construir um acordo para apoiar Marcelo Aro, em uma aliança com o PL e a federação União Progressista. A decisão foi tomada após meses de indefinição sobre a candidatura do senador. A direção do Republicanos afirma que aguardou uma manifestação clara de Cleitinho até a convenção estadual da legenda, realizada no último sábado, mas concluiu que a falta de uma confirmação inviabilizava a organização da chapa e das alianças para a eleição. O partido sustenta que precisou reorganizar seu projeto político diante da demora do parlamentar em assumir publicamente a candidatura. O estopim da crise ocorreu na noite de terça-feira. Enquanto Cleitinho divulgava um vídeo afirmando que aceitava a missão de disputar o governo do estado, dirigentes do Republicanos e do PL se reuniam com Marcelo Aro, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o presidente do PL em Minas, Zé Vitor, para avançar no acordo em torno da candidatura do ex-secretário ao governo mineiro. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, participou de parte da reunião por telefone. A decisão foi recebida como uma "puxada de tapete" pelo entorno de Cleitinho. Aliados afirmam que o senador nunca desistiu da disputa e atribuem o silêncio das últimas semanas ao luto pela morte de Matheus Azevedo. Já a direção do Republicanos argumenta que a indefinição prolongada gerou insegurança entre os partidos aliados e dificultou a construção de uma candidatura única da direita em Minas Gerais. Nos bastidores, dirigentes da legenda passaram a classificar Cleitinho como um político "instável", avaliando que as sucessivas mudanças de posição sobre a candidatura comprometeram a confiança dos aliados e atrasaram a montagem das chapas proporcionais e majoritárias. Também havia o temor de que, durante a campanha, o senador passasse a fazer críticas à própria classe política e a integrantes do Republicanos, criando novos focos de desgaste para a legenda.

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