Ricardo Couto vota no Leblon após 6 meses de ajuste fiscal e reestruturação no governo do Rio

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Fonte da notícia: Valor Valor

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, votou neste domingo (4) no Colégio Santo Agostinho, no Leblon, zona sul da capital. Desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Couto assumiu interinamente o comando do Palácio Guanabara em 23 de março, após a renúncia de Cláudio Castro e o esgotamento da linha sucessória estadual.

Ao fazer um balanço de sua administração, Couto afirmou que a prioridade foi reorganizar a máquina pública e preparar o estado para a transição de governo. “Procurei entregar o Estado apto a ser gerido pelo próximo governador. Reduzimos a máquina, valorizamos os servidores de carreira e buscamos fazer uma transição adequada, sempre respeitando a população”, disse ao Valor após votar.

Aos 62 anos, Couto tem uma trajetória de mais de três décadas na magistratura. Formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ingressou na carreira em 1992 e foi promovido a desembargador em 2008. Desde fevereiro de 2025, preside o Tribunal de Justiça fluminense e passou a acumular o comando do Executivo estadual após assumir o governo interinamente.

Desde que chegou ao Palácio Guanabara, Couto adotou uma gestão de perfil técnico, com foco em reorganização administrativa, controle de despesas e ajuste das contas públicas. Uma das principais medidas foi a revisão da estrutura do governo, com exonerações de cargos comissionados e mudanças no primeiro escalão.

Em seis meses de gestão, o governador em exercício exonerou mais de 6 mil servidores comissionados. Segundo o governo, a medida deve gerar uma economia de cerca de R$ 315 milhões na folha de pagamento até o fim de 2026.

Sobre as exonerações, o governador afirmou que o processo incluiu também a extinção de cargos considerados desnecessários. “Ultrapassamos a marca dos 6 mil comissionados exonerados e começamos agora a fazer a extinção desses cargos que constatamos que não eram necessários. Os cargos comissionados servem para direção e assessoria técnica adequada, não para se criar cargos ao Deus dará”, afirmou.

Couto também promoveu uma ampla reformulação do secretariado, com a escolha de procuradores do Estado, juristas e servidores de carreira para cargos estratégicos.

As mudanças atingiram áreas como a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Casa Civil, Cedae, Rioprevidência, Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Secretaria de Governo e Gabinete de Segurança Institucional. Na área ambiental, o governador alterou o comando da pasta e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em meio ao processo de reorganização da autarquia após investigações envolvendo servidores.

Na área fiscal, uma das principais medidas da administração de Couto foi a adesão do Rio de Janeiro ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que substituiu o Regime de Recuperação Fiscal. O acordo prevê a renegociação da dívida estadual com a União, que ultrapassava R$ 210 bilhões, com alongamento dos prazos e redução dos encargos financeiros.

Em setembro, durante evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Couto afirmou que o estado havia voltado a registrar superávit fiscal e projetou encerrar seu período à frente do Executivo com cerca de R$ 5 bilhões em caixa. Segundo o governador em exercício, o resultado está relacionado às medidas de controle de despesas e reorganização das contas públicas.

Na área orçamentária, Couto encaminhou à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em 30 de setembro, a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027. O projeto estima R$ 138,3 bilhões em despesas e R$ 124,3 bilhões em receitas, com déficit previsto de R$ 13,9 bilhões, abaixo dos R$ 18,9 bilhões projetados para 2026. A proposta será analisada pelos deputados estaduais até o fim do ano.

Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 30 de setembro mostrou que 47% dos eleitores fluminenses aprovam a gestão de Ricardo Couto, enquanto 45% desaprovam. Na avaliação do governo, 24% classificaram a administração como ótima ou boa, 43% como regular e 31% como ruim ou péssima.

Leo Pinheiro/Valor

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