Review | Crimson Desert tem história fraca, mas acerta no que se propõe

 

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Crimson Desert é o novo jogo de ação e exploração com elementos de RPG da desenvolvedora coreana Pearl Abyss. Anunciado inicialmente como um sucessor espiritual de Black Desert, o título chegou no dia 19 de março de 2026 cercado de expectativa, mas também de controvérsias. Logo no lançamento, dividiu opiniões de crítica e público, principalmente por conta de um enredo fraco e problemas de gameplay, como a ausência de um baú para armazenar itens, desempenho abaixo do esperado e comandos pouco intuitivos.

Ainda assim, a desenvolvedora não baixou a guarda. Com o passar das semanas, diversas atualizações foram lançadas para corrigir os principais problemas apontados pela comunidade, o que melhorou bastante a experiência. No fim das contas, o jogo encontrou seu ponto forte naquilo que faz de melhor: a exploração. Mas a pergunta que fica é: mesmo após mais de um mês de atualizações, os problemas iniciais ainda pesam? O TechTudo jogou por mais de 100 horas e conta a seguir se vale a pena embarcar na jornada de Kliff e dos Jubas Cinzentas.

🎮 Crimson Desert: 10 coisas que o jogo não explica, mas você precisa saber

🏆 Quantas horas tem Crimson Desert? Como pegar todos os troféus do jogo

Review | Crimson Desert

Arte/TechTudo

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Crimson Desert vale a pena?

Quando comecei a jogar Crimson Desert no lançamento, a primeira impressão não foi das melhores. O jogo demora a engrenar, e a primeira meia hora é especialmente confusa. Os puzzles, que deveriam funcionar como tutoriais, são pouco intuitivos, e algumas missões simplesmente não explicam o que deve ser feito. Um exemplo claro é a missão "Colina Agitada", que acabou travando muitos jogadores em um objetivo relativamente simples.

A história também deixa a desejar. Kliff é um protagonista pouco carismático, com um enredo que não prende. Ele fala pouco e passa a sensação de ter sido afetado pelas mudanças de direção no desenvolvimento do jogo. Segundo relatos e vazamentos, Crimson Desert começou como um projeto online antes de migrar para uma experiência single-player, e isso parece ter impactado diretamente a narrativa.

Kliff Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

Outro ponto que incomoda é a troca de personagens durante a campanha. A partir de certo momento, é possível controlar figuras como Damiane e Oongka, mas esses personagens não têm desenvolvimento nem carisma. As missões em que aparecem acabam sendo oportunidades desperdiçadas de expandir o universo do jogo.

Esses problemas dificilmente serão corrigidos, já que exigiriam uma reformulação completa do roteiro. A sensação é de que a ambição do projeto acabou atrapalhando a construção de uma narrativa mais coesa.

Por outro lado, quando você aceita que a história não é o ponto forte e passa a focar na exploração, o jogo revela seu verdadeiro potencial. Foi exatamente isso que aconteceu comigo após cerca de 15 horas. A partir daí, Crimson Desert se transforma em uma experiência muito mais interessante.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

O sistema de progressão é um dos destaques. Evoluir a árvore de habilidades de Kliff é recompensador e permite diferentes estilos de jogo. Eu optei por focar em espadas longas, mas há espaço para abordagens bem variadas, incluindo combate corpo a corpo com artes marciais, com golpes exagerados e divertidos, como um suplex digno de WWE.

O tamanho do jogo também impressiona. O mapa é gigantesco, com inúmeras possibilidades de exploração. Passei cerca de 40 horas apenas na primeira região e ainda estou longe de chegar à área desértica que dá nome ao título. Mesmo com falhas claras, Crimson Desert é um jogaço. Pode assustar no início, mas recompensa quem insiste. É, sem dúvida, um dos grandes títulos de 2026.

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História de Crimson Desert é fraca no início, ganha tração no meio e decepciona no fim

A história de Crimson Desert é contraditória. O game se passa em Pywel e acompanha Kliff, líder dos Jubas Cinzentas, um grupo de mercenários tentando sobreviver em um mundo em colapso. Logo no início, fica evidente que há forças interessadas na queda da facção, mas as motivações são pouco claras.

Após ser derrotado em batalha, Kliff reaparece ligado ao Abismo, uma entidade misteriosa com influência sobre os eventos do mundo. A ideia é interessante, mas pouco desenvolvida, funcionando mais como conceito do que como base sólida da narrativa.

O início da campanha é confuso, com missões mal explicadas e transições pouco naturais. Em determinado momento, por exemplo, o jogo exige interações com personagens que sequer foram apresentados, quebrando a imersão.

No meio da jornada, a história ganha um pouco mais de clareza, mas nunca chega a se destacar. Já nos capítulos finais, perde força novamente, com reviravoltas previsíveis, no estilo Sessão da Tarde. No fim, fica claro que a narrativa não é o principal atrativo do jogo e, por isso, não será tão desenvolvido nesse Review.

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Se a história é ruim, exploração é o que faz valer cada centavo

Crimson Desert é gigantesco. O mapa é amplo, dividido em várias regiões, e cada uma apresenta suas próprias particularidades. Hernand, por exemplo, funciona como a área inicial e não traz grandes desafios em relação a clima ou inimigos. Mas basta avançar um pouco ao norte para encontrar regiões extremamente frias, que exigem preparo mínimo, seja com equipamentos adequados ou armaduras resistentes à temperatura.

Esse tipo de mecânica aparece logo nas primeiras horas e, na prática, é fácil de contornar. O problema é que o jogo explica pouco, e isso não se limita ao sistema de temperatura. Apesar da exploração ser um dos pontos mais interessantes, fica a sensação de que Crimson Desert tenta abraçar muita coisa, mas não se preocupa em explicar bem elementos básicos da própria gameplay.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

O sistema de alimentação é um bom exemplo. Ter comida durante batalhas contra chefes é essencial, algo até intuitivo para quem já tem familiaridade com RPGs como The Witcher 3. Mas quem começa do zero pode demorar para entender a importância disso justamente pela falta de clareza.

A árvore de habilidades segue essa mesma linha. Ela é interessante e oferece diversas possibilidades, divididas entre poderes místicos, evolução de vida e atributos ligados ao combate, como vigor. Dentro disso, há diferentes estilos, como arco e flecha, espadas, artes marciais e o sistema de espírito, que acaba sendo um dos mais importantes nas batalhas mais difíceis.

Essa mistura de referências também aparece na exploração, que depende bastante de puzzles. A ideia funciona, mas a execução deixa a desejar em alguns momentos. O primeiro puzzle, ainda no tutorial, chegou a travar muita gente, não pela dificuldade, mas pela falta de responsividade.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

E esse é um problema mais amplo. O jogo tem muitos comandos, o que faz sentido pela complexidade, mas isso acaba prejudicando a resposta dos controles em certas situações, especialmente nos puzzles. A Pearl Abyss já vem trabalhando em melhorias, mas ainda é algo perceptível.

No geral, os puzzles cumprem seu papel, mas variam bastante. Alguns são simples demais, enquanto outros trazem boas ideias e fazem o jogador realmente pensar. O problema não está no desafio em si, mas na forma como ele é executado. Com controles mais precisos, a experiência seria muito mais fluida. No fim das contas, resolver os puzzles não é difícil. O maior obstáculo, muitas vezes, é lidar com a falta de precisão nas ações, algo que se repete em outros aspectos do jogo.

Gráficos e ambientação são ápice da experiência

Por outro lado, quando o assunto é ambientação, Crimson Desert impressiona. O jogo entrega alguns dos cenários mais bonitos da geração, o que explica as comparações com Red Dead Redemption 2. Ambos apostam em mundos vivos, detalhados e que incentivam a exploração sem pressa.

Mesmo com a diferença de tempo entre os lançamentos, Crimson Desert se destaca pelo nível de fidelidade gráfica. A água, por exemplo, chama atenção com facilidade, algo que historicamente sempre foi difícil de representar bem em jogos. No geral, é um mundo muito bonito e vivo.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

Esse cuidado fica ainda mais evidente nos pontos mais altos do mapa. Observar o horizonte é, por si só, uma experiência. Dá para perceber o nível de detalhe envolvido na construção de cada região e na forma como tudo se conecta. Nesse aspecto, o jogo realmente se destaca.

As montarias também têm papel essencial na exploração. O mapa é grande o suficiente para tornar inviável percorrer tudo a pé, então encontrar cavalos lendários e outros animais se torna fundamental para a locomoção. Além disso, há pontos de teletransporte espalhados pelo mundo, geralmente vinculados a pontos de interesse e, em alguns casos, liberados após pequenos puzzles.

Mas é justamente nas montarias que entra uma ressalva importante. Diferente do que acontece em Red Dead Redemption 2, aqui não existe um vínculo real com o animal. No jogo da Rockstar Games, essa relação era construída ao longo da jornada e fazia diferença na experiência. Em Crimson Desert, isso não acontece.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

Os cavalos cumprem bem a função mecânica, facilitando o deslocamento e o acesso a áreas mais altas, mas param por aí. Falta identidade. Não importa muito qual animal você está usando, a sensação é praticamente a mesma. Além disso, eles não morrem, mesmo caindo de alturas consideráveis.

Isso acaba pesando, principalmente porque a comparação é inevitável. Crimson Desert acerta muito na construção do mundo, mas deixa passar uma oportunidade clara de aprofundar a relação entre o protagonista e suas montarias, o que poderia tornar a experiência ainda mais marcante.

Combate e progressão de armas são bem resolvidos

O combate, no início, foi um pouco confuso para mim. Existem movimentos e combos que você precisa aprender com o tempo e que, como outras questões de Crimson Desert, não são tão intuitivos. Conforme você passa a entender melhor a árvore de habilidades e começa a testar possibilidades, fica mais claro qual estilo de luta faz sentido para o personagem que está sendo construído.

E essa ideia de experimentação é central. A Pearl Abyss deixa evidente que quer que o jogador teste diferentes caminhos, monte sua build e, se não funcionar, refaça tudo. Para isso, existem itens que permitem reiniciar a progressão do zero, o que acaba sendo um ponto bastante positivo.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

Dentro da árvore de habilidades, há várias vertentes. No combate, por exemplo, é possível focar em arco e flecha, artes marciais, espadas longas ou curtas, além do atributo de vigor. Esse último é essencial tanto para movimentação quanto para executar combos. Inclusive, algumas ações simplesmente não funcionam com pouco vigor, o que faz desse um dos atributos mais importantes logo no começo.

Já na parte mais mística entram habilidades ligadas à vida do personagem e poderes especiais. Um dos destaques é a “Força Axiom”, que permite deslocamentos rápidos e dinâmicos, lembrando bastante a movimentação de Just Cause com o gancho. Com ela, dá para puxar inimigos, encaixar combos e até alcançar áreas mais altas. É uma mecânica divertida, mas que exige bastante gerenciamento de vigor.

Outro sistema importante é o de espírito, que também é um dos menos explicados. Ele permite executar ações específicas, como esquivas no tempo certo ou até criar uma espécie de escudo que rebate projéteis, algo visualmente parecido com as defesas do Doutor Estranho, herói da Marvel. Isso se torna essencial principalmente contra inimigos mais fortes, que usam ataques à distância ou habilidades mágicas.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

Mesmo com pouca explicação, o sistema de espírito segue a mesma lógica geral do jogo: testar e aprender na prática. E isso fica ainda mais evidente nas batalhas contra chefes. Muitos deles são desafiadores e podem levar o jogador a buscar respostas fora do jogo, mas a verdade é que as ferramentas estão ali. Usar o espírito, abusar da "Força Axiom" e testar diferentes armas faz parte do processo.

Existem várias formas de lidar com os inimigos, seja explorando brechas, aplicando efeitos ou simplesmente ajustando o estilo de combate. No fim das contas, cada chefe tem um ponto fraco, e cabe ao jogador descobrir qual é.

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Falando em armas, algumas acabam sendo essenciais ao longo da jornada. No meu caso, usei bastante espadas de duas mãos, mas combinações como espada curta com escudo também se mostraram muito eficientes em certos momentos, principalmente contra chefões. O interessante é que cada batalha parece exigir um tipo de abordagem diferente, o que incentiva a evoluir bem todos os aspectos do equipamento. E o jogo oferece bons sistemas para isso.

Logo no início, as armas possuem níveis e podem evoluir até o nível 10. Para isso, é necessário levá-las a um ferreiro e investir materiais obtidos por exploração, mineração e outras atividades. Com o tempo, itens básicos deixam de ser suficientes e você passa a depender de recursos mais raros, como Artefatos do Abismo e Pedras de Sangue.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

Esse sistema acompanha bem a progressão. Muitos desses materiais aparecem apenas em regiões mais avançadas, o que faz com que a evolução esteja diretamente ligada ao avanço na história. E funciona, já que a diferença de poder é perceptível conforme a arma evolui.

Além da parte física, há também uma camada mística. As Bruxas permitem adicionar modificadores especiais aos equipamentos, e encontrá-las pelo mapa já é, por si só, uma experiência interessante. Para liberar todo o potencial delas, é preciso completar missões específicas, o que reforça a ideia de causa e consequência dentro do jogo.

Esse sistema não se limita às armas. Armaduras, luvas e botas seguem a mesma lógica. Com as Bruxas, é possível criar encaixes nesses itens e inserir orbes com habilidades especiais. Algumas invocam corvos a cada ataque pesado, por exemplo, o que além de interessante visualmente também impacta o combate.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

Esses orbes podem ser obtidas de várias formas, como em missões, derrotando chefes ou explorando o mapa. Um detalhe importante é ficar atento a cachoeiras com pequenas pilhas de pedras na frente. Esse tipo de marcação geralmente indica recompensas escondidas.

No geral, o sistema de progressão e aprimoramento funciona muito bem. Dá para perceber um cuidado maior nesse aspecto, que entrega uma sensação consistente de evolução ao longo de toda a jornada.

Pearl Abyss salvou o game, mas ainda existem ponto de melhoria

Crimson Desert chegou com muitos problemas, o que culminou em uma nota mediana de crítica e público. O maior trunfo foi a desenvolvedora não abandonar o barco e abraçar a comunidade. Com o tempo, novas montarias e um baú para guardar os itens do game foram adicionados, o nível de dificuldade dos chefes foram revistos e uma séria de adições voltadas para desempenho, gráficos e câmeras foram realizadas.

Esse ponto era muito importante. Joguei em um PS5 Pro e, mesmo assim, tive problemas com quedas de FPS em algumas batalhas. Já no PS5 base existiam relatos de crashes assim que o mapa do game era aberto. A maioria foi resolvido e mostrou que a comunidade de games, quando bem organizada, ainda tem muito poder para ajustar os rumos de alguns títulos.

Crimson Desert

Reprodução/Victor Bastos

Mesmo assim, ainda existem pontos de atenção, principalmente na iluminação. Em horários como o meio-dia, o jogo é visualmente impressionante. Porém, ao amanhecer ou entardecer, os cenários perdem vivacidade e ficam acinzentados. À noite, a escuridão é intensa, como proposto pela desenvolvedora, mas a iluminação artificial deixa a desejar, prejudicando as texturas.

É um aspecto que ainda precisa de ajustes, mas considerando o histórico recente da Pearl Abyss, não seria surpresa ver melhorias futuras nesse sentido.

⭐ Nota final:

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