Réu por quatro homicídios, Adilsinho ainda é alvo de investigações por ao menos outros cinco assassinatos e um atentado

 

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Réu na Justiça em quatro processos diferentes por homicídio e organização criminosa, Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, responde formalmente por cinco mortes e é alvo de inquéritos que apuram sua participação em pelo menos outros cinco assassinatos e um atentado. Em todos esses casos ainda em aberto — ligados à máfia do cigarro ou à disputa por pontos do jogo ilegal —, a polícia já reuniu indícios do envolvimento do bicheiro preso nesta quinta-feira, como trocas de mensagens e a participação de integrantes de sua escolta pessoal nas execuções.

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É o caso do assassinato do policial civil Carlos José Queirós Viana, morto em frente à sua casa, em Niterói, em outubro do ano passado. Cinco pessoas já estão presas pelo homicídio, entre elas José Gomes da Rocha Neto, o Kiko, apontado como segurança pessoal de Adilsinho. O nome de Kiko consta em uma lista de pessoas cadastradas como “segurança” na portaria do condomínio onde o bicheiro morava antes de ficar foragido, na Barra da Tijuca. Seu apelido também aparece em uma planilha com valores pagos aos integrantes da escolta de Adilsinho: segundo o documento, ele recebia R$ 9,5 mil.

Entre os outros quatro presos pelo crime, dois são policiais militares residentes em Duque de Caxias, cidade da Baixada Fluminense onde a família de Adilsinho domina o jogo ilegal e que funciona como base das operações da máfia dos cigarros. A polícia ainda apura a motivação do homicídio.

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Outro assassinato em que a polícia já identificou indícios da participação de Adilsinho é o de Cristiano Souza, dono de uma tabacaria executado com mais de 30 tiros de fuzil por homens encapuzados, em junho de 2023. A investigação descobriu que a vítima era o principal distribuidor, no Rio, da marca R8 — concorrente direta dos cigarros vendidos pela quadrilha do bicheiro.

“Quanto tá custando o R8? Tá vendendo onde?”, perguntou o sargento da PM Daniel Figueiredo Maia, apontado como integrante do grupo de Adilsinho, a um comparsa quatro meses antes do homicídio. À época, Maia demonstrava preocupação com a expansão da marca concorrente. O interlocutor, um subordinado responsável pelo fornecimento aos comerciantes, tentou tranquilizá-lo com a promessa de pressionar os vendedores: “Ele vai ficar só com o nosso mesmo, tem que botar só a nossa”.

Policial penal executado

Atualmente, respondem pelo homicídio Maia, o ex-PM Rafael do Nascimento Dutra — apontado como chefe da segurança de Adilsinho — e Jeferson Rodrigues Silva, acusado de comprar um rastreador para monitorar a vítima.

Dois dias após a morte de Cristiano, um grupo de encapuzados fuzilou o policial penal Bruno Kilier da Conceição Fernandes, também envolvido com a venda de cigarros concorrentes. No carro da vítima, a polícia apreendeu um rastreador idêntico ao usado no homicídio anterior. Adilsinho já foi indiciado por esse crime pela Polícia Civil, mas o Ministério Público ainda não ofereceu denúncia.

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Outro homicídio investigado por sua possível conexão com a máfia dos cigarros é o do ex-PM Matheus Haddad Bittencourt Fernandes Leal, morto na Barra da Tijuca em 2023. Haddad mantinha uma espécie de sociedade com Adilsinho. Quebras de sigilo autorizadas pela Justiça, no entanto, mostram que, à época do crime, ele vinha sendo monitorado por integrantes da equipe de segurança do bicheiro. Uma fotografia obtida pela investigação mostra membros da escolta comemorando juntos no mesmo dia do homicídio. Ninguém responde pelo crime até agora.

O bicheiro Bernardo Bello em entrevista ao documentário "Vale o escrito"

Reprodução

Outros dois crimes sob investigação envolvem a disputa por pontos do jogo ilegal na Zona Sul do Rio travada por Adilsinho com Bernardo Bello. As vítimas são o PM Daniel Mendonça da Silva e o policial penal Altamir Senna Oliveira Junior, o Mizinho — o segundo sobreviveu ao atentado. Segundo as investigações, ambos integravam a quadrilha de Bello. Atualmente, respondem pelos crimes, na Justiça, integrantes da equipe de segurança de Adilsinho.

O bicheiro já é réu, na Justiça do Rio, pelos homicídios de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, Alex Sandro José da Silva, o Sandrinho, Fábio Alamar Leite e Fabrício Alves Martins de Oliveira. Na Justiça Federal, ele responde à acusação de chefiar a máfia dos cigarros.

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