Retirada de minas de Ormuz pode levar até 6 meses, e Trump anuncia ordem para destruir ‘qualquer embarcação’ que lance explosivos
A remoção das minas no Estreito de Ormuz pode levar até seis meses, o que pode prolongar o impacto sobre os preços globais dos hidrocarbonetos, afirmou o Pentágono em uma apresentação confidencial ao Congresso dos Estados Unidos, segundo o Washington Post. Em meio à crise, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em uma postagem nas redes sociais que as Forças Armadas estão intensificando as operações de desminagem na região.
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“Ordenei à Marinha dos Estados Unidos que atire e destrua qualquer embarcação, por menor que seja, que esteja lançando minas nas águas do Estreito de Ormuz”, publicou Trump. “Não deve haver hesitação. Além disso, nossos navios caça-minas estão limpando o estreito neste momento. Estou ordenando que essa atividade continue, mas em um nível triplicado!”
A hidrovia, crucial para o transporte de petróleo bruto, está praticamente fechada desde o início da guerra em 28 de fevereiro, desencadeada por ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo mundial passava pelo estreito, o que amplia o potencial de impacto econômico global.
De acordo com o Washington Post, que cita três autoridades familiarizadas com o tema, parlamentares foram informados de que o Irã pode ter instalado 20 ou mais minas dentro e ao redor do Estreito de Ormuz. Segundo a apresentação de um alto funcionário do Departamento de Defesa, algumas dessas minas foram posicionadas remotamente com o uso de tecnologia GPS, o que dificulta sua detecção pelas forças americanas no momento da instalação. Outras teriam sido colocadas por forças iranianas com o uso de pequenas embarcações.
A estimativa de até seis meses para a desminagem foi recebida com frustração tanto por democratas quanto por republicanos, ainda de acordo com as fontes, e reforça a avaliação de que os preços de energia podem permanecer elevados mesmo após um eventual acordo de paz.
O Pentágono evitou detalhar publicamente a avaliação e, por meio de um porta-voz, classificou como “imprecisas” as informações divulgadas. Ainda assim, há poucas informações confirmadas sobre como seria conduzida uma operação de desminagem, embora autoridades mencionem o possível uso de helicópteros, drones e mergulhadores especializados.
A tensão no estreito permanece elevada. O Irã declarou a via fechada em diferentes momentos e chegou a atacar embarcações, enquanto Washington mantém um bloqueio naval com o objetivo de pressionar a economia iraniana baseada no petróleo. Durante um cessar-fogo recente, alguns navios comerciais chegaram a atravessar a região, mas o tráfego voltou a ser interrompido após novos episódios de hostilidade.
Em meio a versões conflitantes, Trump afirmou recentemente que o Irã, “com a ajuda dos Estados Unidos, removeu ou está removendo todas as minas marítimas” do estreito. A declaração não foi confirmada por Teerã. Segundo autoridades americanas citadas pela imprensa, há indícios de que o próprio Irã pode não conseguir localizar todas as minas que instalou.
A Guarda Revolucionária iraniana chegou a alertar, em abril, sobre a existência de uma “zona de perigo” de cerca de 1.400 km² onde minas poderiam estar presentes. Paralelamente, países não envolvidos diretamente no conflito manifestaram disposição para uma eventual missão neutra de segurança na região.
