Responsável por divulgação dos arquivos de Epstein afirma que revisão do caso 'está encerrada'

 

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O vice-procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, que é o responsável dentro do governo Trump pela divulgação dos arquivos Epstein afirmou que a revisão do caso de tráfico sexual entre Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell pelos promotores 'está encerrada'. A declaração foi feita em uma entrevista à ABC News.

Em outra entrevista, dessa vez para a CNN, Blanche comentou que 'as vítimas querem ser ressarcidas integralmente' depois da descoberta do esquema atribuído aos dois. Segundo ele, 'é isso que queremos', porém 'não significa que podemos simplesmente criar provas ou inventar um caso que não existe'.

Embora ele tenha reconhecido que 'há muitas fotografias horríveis que parecem ter sido tiradas pelo Sr. Epstein ou por pessoas próximas a ele... isso não nos permite necessariamente processar alguém'.

As afirmações fazem referência aos questionamentos de vítimas do caso Epstein pedindo a responsabilização de também supostos clientes que aparecem em imagens e declarações. Em meio a isso, parlamentares democratas questionaram que a divulgação estava incompleta.

Respondendo a uma pergunta sobre as alegações dos advogados das vítimas de que algumas identidades não haviam sido corretamente ocultadas, o vice-procurador disse:

'Corrigimos isso imediatamente. Estamos falando de apenas 0,001% de todo o material'.

Ro Khanna, membro da Câmara dos Representantes dos EUA e democrata da Califórnia, contestou a afirmação de que o arquivo investigativo do Departamento de Justiça sobre Epstein havia sido esvaziado na medida exigida pela lei de transparência da qual ele foi coautor.

'Eles divulgaram, no máximo, metade dos documentos, Mas mesmo essa parte choca a consciência deste país', afirmou para a CNN.

Documentos mostram que adolescente teria sido forçada a fazer sexo oral em Trump

Donald Trump com Jeffrey Epstein.

Reprodução

Arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta sexta-feira reúnem milhões de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, bilionário condenado por crimes sexuais e acusado de comandar um esquema de abuso e tráfico de meninas menores de idade.

Os arquivos incluem registros sobre a prisão, avaliações psicológicas e a morte de Epstein em 2019.

Nos materiais, o presidente Donald Trump é citado centenas de vezes e aparece em uma lista do FBI com denúncias recebidas por meio de uma linha telefônica oficial.

Entre as alegações, está a de que, décadas atrás, em Nova Jersey, uma adolescente de 13 ou 14 anos teria sido forçada a praticar sexo oral em Trump.

A vítima teria mordido o pênis do presidente e relatado o caso para outras pessoas, de acordo com a denúncia

A acusação não apresenta provas documentais nos arquivos, e o presidente não se manifestou sobre essa denúncia.

A divulgação representa o maior volume já tornado público sobre o caso Epstein, com cerca de 3 milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos.

Os documentos também inlcuem as investigações que levaram à condenação de Ghislaine Maxwell [Guilein], ex-namorada de Epstein, por tráfico sexual de menores. Ela recrutava adolescentes para Epstein e ajudava a encobrir os crimes

Os arquivos recém-divulgados também expõem a relação de Epstein com figuras poderosas. Entre os documentos, aparecem alegações envolvendo Bill Gates, incluindo e-mails atribuídos a Epstein com acusações graves.

Gates nega todas as acusações, e as classificou como absurdas e falsas, e afirmou que os textos refletem apenas o ressentimento de Epstein após o fim da relação entre ambos.

Há ainda registros de contato direto com o então Duque de York, Andrew Mountbatten-Windsor [Meuntbadrer], tratando de encontros privados e apresentações de mulheres. Não há provas de ilegalidades nesses e-mails, e o duque nega qualquer irregularidade.

Apesar da divulgação, democratas acusam o Departamento de Justiça de reter milhões de páginas sem justificativa adequada.

Muitos documentos vieram com cortes extensos, oficialmente para proteger vítimas e investigações em andamento, o que mantém dúvidas sobre a transparência total do processo.

O Departamento de Justiça afirmou que as acusações contra Donald Trump são “infundadas e falsas”, e as classificou como sensacionalistas e sem credibilidade.

O órgão acrescentou que, se houvesse qualquer base concreta, essas alegações já teriam sido usadas judicialmente.

Trump nunca foi acusado formalmente por vítimas de Epstein e nega qualquer envolvimento em crimes sexuais.