Resistências de aliados travam substituição de Gleisi na articulação política, e governo avalia indicar interino

 

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A escolha do substituto de Gleisi Hoffmann no comando da articulação política do governo segue indefinida. Diante do impasse, existe a possibilidade de que o secretário executivo do Ministério das Relações Institucionais (SRI), o diplomata Marcelo Costa, assuma o cargo de forma interina.

Para concorrer ao Senado pelo Paraná, Gleisi precisa deixar o cargo até o próximo sábado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda avalia o nome que colocará na pasta. São citados como cotados para o posto o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) e o senador Otto Alencar (PSD-BA).

Guimarães, porém, insiste em concorrer ao Senado no Ceará. Já Otto tem dito a interlocutores que não tem interesse no cargo. Mas aliados do senador bailando lembram que ele tem trânsito junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e isso poderia ajudá-lo a destravar a aprovação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

O plano inicial, que chegou a ser anunciado publicamente por Gleisi, era nomear o secretário do Conselho do Desenvolvimento Econômico Social, o Conselhão, Olavo Noleto, mas Lula decidiu optar por um político com experiência em cargos no Legislativo. Nos últimos dias, porém, interlocutores do governo disseram que o presidente poderia rever o seu veto a Noleto.

O encerramento da CPI do INSS no último sábado aliviou as preocupações do Planalto com o Congresso para este ano. O governo ainda quer, porém, aprovar o fim da escala de trabalho 6x1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos, duas bandeiras que Lula quer explorar na sua tentativa de reeleição.

Além disso, a PEC da Segurança Pública ainda precisa passar pelo Senado e o governo quer evitar a derrubada do veto ao projeto da dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelo 8 de janeiro. Também terá que aprovar no Senado a indicação de Messias.

Lula anunciou nesta terça-feira que fará 18 mudanças no governo, já que os titulares estão deixando os cargos para concorrer na eleição. As trocas incluem a substituição na Casa Civil, com a substituição de Rui Costa pela secretária-executiva da pasta, Miriam Belchior.