Resgatado do comércio ilegal de carne na China, cão com sequelas é adotado por ONG em Nova York

 

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Um filhote de malamute do Alasca que sobreviveu ao comércio de carne na China tornou-se símbolo de resistência após ser resgatado e adotado por uma organização sem fins lucrativos nos Estados Unidos. Kronk, como foi batizado, foi retirado de um matadouro no ano passado e acolhido pela ONG Run 2 the Rescue, sediada em Nova York, neste mês.

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O animal passou a maior parte da vida em condições de inanição e sofreu uma lesão cerebral que resultou em deficiências físicas e cognitivas permanentes. Ele não anda como outros cães e apresenta deformações faciais atribuídas aos anos de abuso. Ao ser examinado por um veterinário na China, foi informado que o filhote provavelmente tinha nove fraturas no crânio.

Brandy Cherven, cofundadora da Run 2 the Rescue, contou à revista People que viu Kronk pela primeira vez em um vídeo que mostrava 77 cães resgatados de um laboratório de pesquisa. “A cabeça dele estava virada para o lado, e ele andava arrastando a pata traseira. Voltei e pausei o vídeo várias vezes”, afirmou. Segundo ela, outros abrigos talvez não tivessem assumido o risco de adotá-lo. “Ele é diferente — e diferente não é ruim, é apenas diferente.”

Além das fraturas e das sequelas neurológicas, Kronk apresentava problemas de pele e estava cerca de 18 quilos acima do peso. Durante meses, não teve condições clínicas para viajar de avião aos EUA. Quando finalmente desembarcou, Cherven decidiu adotá-lo. Desde então, o cão alcançou peso saudável e, apesar das limitações permanentes, é descrito pela organização como um dos animais mais felizes sob seus cuidados. “Sua existência é um milagre. Sua história é uma história de força e amor”, afirmou a entidade.

Comércio sob críticas internacionais

A Run 2 the Rescue indicou Kronk ao concurso Animal de Estimação Favorito da América. Caso vença, o prêmio de US$ 10 mil será destinado ao resgate de outros cães vítimas do comércio de carne.

Segundo a organização Humane World for Animals, cerca de 30 milhões de cães e 10 milhões de gatos são abatidos anualmente nesse mercado em diferentes países asiáticos. Apenas na China, estima-se que 10 milhões de cães e 4 milhões de gatos sejam mortos a cada ano. Muitos são capturados ilegalmente, por meio do roubo de animais de estimação ou recolhimento de animais de rua, e transportados sem vacinação, frequentemente amontoados em gaiolas por dias — alguns morrem antes de chegar ao destino.

Grupos de proteção atuam em diferentes regiões da Ásia para resgatar os animais, mas parte deles permanece sem adoção definitiva. A Run 2 the Rescue trabalha em parceria com entidades chinesas para transferir sobreviventes aos Estados Unidos, onde recebem tratamento veterinário e são encaminhados a famílias. A trajetória de Kronk, segundo a organização, é uma entre milhares — mas tornou-se um retrato concreto do impacto dessas iniciativas.