Republicanos prevê reunião para decidir posição em eventual segundo turno após manter distância de Lula e Flávio

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Republicanos prepara uma reunião da cúpula do partido para os primeiros dias após o primeiro turno das eleições, quando pretende discutir os próximos passos da legenda na disputa presidencial. O encontro deve ocorrer entre terça e quarta-feira e reunirá o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, e outros integrantes da direção. A avaliação sobre o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estará entre os principais pontos da conversa, diante da expectativa de que os dois avancem para o segundo turno. O partido decidiu manter uma posição de neutralidade no primeiro turno, estratégia que permitiu à legenda preservar alianças distintas nos estados e evitar um alinhamento nacional que pudesse criar dificuldades para seus candidatos nas disputas locais. A avaliação interna é que esse cálculo pode mudar caso a eleição presidencial não seja definida neste domingo. Um dos fatores considerados pelos dirigentes é justamente o fim das disputas estaduais e proporcionais. No primeiro turno, candidatos do partido e aliados precisam conciliar interesses locais com a eleição presidencial. Um exemplo é o próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que declarou apoio a Lula, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), está alinhado a Flávio Bolsonaro. Com as eleições para alguns governos estaduais e para o Congresso já definidas após o primeiro turno, esse componente tende a perder força no segundo turno. Para dirigentes do Republicanos, a redução das disputas locais pode dar mais liberdade às legendas para assumir uma posição nacional e declarar apoio a um dos dois candidatos que permanecerem na corrida presidencial. A reunião também deverá considerar a votação obtida por Lula e Flávio e a distância entre os dois no primeiro turno. O desempenho de cada candidato será levado em conta na discussão sobre qual posição pode ser mais vantajosa para o partido na etapa final da eleição. O Republicanos não é o único partido de centro a se preparar para discutir o cenário depois da votação. A federação formada por União Brasil e PP também marcou para 6 de outubro uma reunião para avaliar seu posicionamento no segundo turno. As duas siglas foram neutras no primeiro turno, mas dirigentes passaram a identificar uma tendência de apoio a Flávio Bolsonaro em um eventual confronto com Lula. Diante da consolidação de Flávio Bolsonaro nas pesquisas como concorrente competitivo, tendo aparecido em alguns cenários de segundo turno numericamente à frente do presidente Lula, ainda que dentro de um cenário de empate técnico, parte dos dirigentes do Centrão já começam a reavaliar a neutralidade. O presidente do PP, Ciro Nogueira, chegou a ligar para outros dirigentes partidários para articular um apoio conjunto da federação e do Republicanos a Flávio logo depois do resultado do primeiro turno. O Republicanos, porém, resiste e tem indicado que deve repetir a neutralidade também na segunda fase da disputa. No entanto, em um cenário em que Flávio apareça com um resultado expressivo no primeiro turno, acima do petista, e também pontue acima de Lula nas pesquisas durante o segundo turno, a tendência é que os três partidos embarquem na campanha do PL.

Essa, no entanto, não é a previsão esperada por todos os dirigentes, que avaliam como temeroso contar com esse desempenho antes dele ser consolidado. Com a definição do segundo turno, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro devem voltar suas atenções aos partidos do Centrão em busca de apoio para a nova etapa da disputa. A expectativa é que as duas campanhas façam uma ofensiva sobre as siglas que ficaram neutras ou não lançaram candidato à Presidência, numa tentativa de ampliar alianças, incorporar lideranças regionais e dar novo fôlego às campanhas nas três semanas que antecedem a votação. Perguntado sobre a posição da federação, Ciro Nogueira evitou antecipar um resultado e disse que não dá para apontar se há maioria para um lado porque não reuniu os partidos ainda. — Dia 6 vamos decidir respeitando a maioria — declarou.

O presidente do Republicanos também evitou antecipar a decisão — Nada resolvido. Discussão que ocorrerá internamente no partido.— disse o presidente do partido, Marcos Pereira.

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