República Dominicana lança operação para conter alga marinha que provoca mau cheiro e afeta praias de Punta Cana; entenda

República Dominicana lança operação para conter alga marinha que provoca mau cheiro e afeta praias de Punta Cana; entenda

Fonte: Bandeira



A República Dominicana lançou uma operação nacional para conter os impactos da chegada em massa do sargaço, uma macroalga marinha que, ao se acumular nas praias, altera a cor das águas, dificulta o banho, provoca mau cheiro durante a decomposição e pode causar impactos aos ecossistemas costeiros e ao turismo.

A medida concentra esforços na região leste do país, onde fica Punta Cana, principal destino turístico dominicano e uma das áreas mais afetadas pelo fenômeno nas últimas semanas.

Criança de um ano é encontrada viva horas após ser declarada morta em hospital nos EUA

Pai morre nos EUA ao tentar salvar filho de incêndio sem saber que menino já havia conseguido escapar

Anunciada pelo Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais, a operação estabelece uma série de medidas emergenciais para acelerar a retirada das algas das praias, padronizar os procedimentos de limpeza e reduzir os danos ambientais provocados tanto pelo acúmulo do sargaço quanto pelas intervenções realizadas para removê-lo.

Veja vídeo:


As ações seguem as diretrizes de uma resolução publicada pelo governo dominicano, que regulamenta a coleta, a contenção e a destinação do sargaço nas praias do país.

A norma também prevê o envio de equipes técnicas para acompanhar os trabalhos, a fiscalização dos protocolos adotados pelos empreendimentos turísticos e a avaliação dos impactos ambientais das operações de limpeza.

Na última sexta-feira, uma equipe coordenada pelo vice-ministro de Assuntos Costeiros e Marinhos, José Ramón Reyes, reuniu-se com representantes do setor hoteleiro de Punta Cana para definir as regras que deverão ser seguidas durante a retirada das algas.

Cada hotel recebeu uma autorização ambiental temporária, válida por dez dias, permitindo a realização das operações de limpeza nas áreas afetadas.

A autorização, porém, também estabelece responsabilidades.

Caso as intervenções provoquem danos ambientais, os empreendimentos responderão pelos impactos e deverão adotar medidas para preservar praias, dunas, recifes e outros ecossistemas costeiros durante a remoção do material.

Como parte da operação, técnicos dos vice-ministérios de Assuntos Costeiros e Marinhos, Solos e Águas e Gestão Ambiental percorreram mais de 15 empreendimentos entre Uvero Alto e Cabeza de Toro, duas das principais áreas turísticas de Punta Cana.

Durante as inspeções, foram avaliadas a capacidade operacional dos hotéis, os pontos temporários de armazenamento do sargaço e os métodos utilizados para sua retirada.

A partir dessa análise, o governo definiu quais empreendimentos poderão operar centros próprios de coleta e quais deverão encaminhar o material para locais de descarte autorizados pelo Ministério do Meio Ambiente.

Além da resposta emergencial, o governo dominicano informou que negocia acordos de cooperação internacional para implantar um sistema de monitoramento por satélite capaz de identificar a aproximação das manchas de sargaço antes que elas alcancem o litoral.

Também está em estudo a instalação de barreiras marítimas em praias mais vulneráveis para conter parte das algas ainda no mar e reduzir o volume que chega à faixa de areia.

O que é o sargaço

O sargaço é uma macroalga marinha que flutua naturalmente no Oceano Atlântico e desempenha papel importante para a biodiversidade em mar aberto, servindo de abrigo e alimento para diferentes espécies de peixes, tartarugas, crustáceos e outros organismos.

Nos últimos anos, porém, enormes quantidades dessas algas passaram a atingir com frequência o Caribe, impulsionadas por fatores como mudanças nas correntes oceânicas, na circulação dos ventos, no aumento da temperatura da água e na maior disponibilidade de nutrientes no oceano.

Ao chegar às praias, o sargaço deixa de exercer sua função ecológica e passa a representar um problema ambiental.

Em grandes volumes, a macroalga cobre a faixa de areia, escurece a água, dificulta atividades como banho e mergulho e, ao entrar em decomposição, libera gases como o sulfeto de hidrogênio, responsável pelo odor característico semelhante ao de ovos podres.

O acúmulo também reduz a quantidade de oxigênio disponível na água e pode afetar corais, gramados marinhos e outras espécies costeiras.

O fenômeno tem imposto custos crescentes aos países do Caribe, cuja economia depende fortemente do turismo.

Hotéis e resorts precisam manter equipes permanentes de limpeza e utilizar máquinas para retirar diariamente toneladas de sargaço durante os períodos de maior incidência.