Repsol recupera controle de suas operações de petróleo na Venezuela

 

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A empresa espanhola Repsol anunciou nesta quinta-feira que chegou a um acordo com o governo venezuelano para "retomar o controle das operações" petrolíferas na Venezuela e "aumentar sua produção" em até 50% em um ano.

O acordo "permitirá retomar o controle das operações no ativo de petróleo da 'Petroquiriquire' e aumentar sua produção de petróleo no país", explicou a empresa em comunicado.

A nota afirma que a Repsol está "preparada para aumentar em 50% a produção bruta de petróleo no país em um prazo de 12 meses e triplicá-la nos próximos três anos", caso existam "as condições necessárias". A Repsol opera na Venezuela desde 1993.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia proibido a operação de empresas estrangeiras no setor de petróleo venezuelano, mas revogou a medida e concedeu novas licenças, uma delas à Repsol, após derrubar Nicolás Maduro em janeiro durante uma operação militar.

Após a queda de Maduro, sua vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder e introduziu reformas para revitalizar a indústria petrolífera. Esse setor é o principal ativo do país, com as maiores reservas mundiais de petróleo, mas foi fortemente prejudicado.

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e foi uma das principais produtoras de petróleo bruto nos anos 1990, mas má gestão, corrupção e sanções dos EUA fizeram a produção cair para um milhão de barris por dia, abaixo do pico moderno de cerca de 3,5 milhões de barris diários.

Triplicar a produção em três anos

O diretor-geral de Exploração e Produção da Repsol, Francisco Gea, afirmou que o acordo “reforça o compromisso da Repsol com a Venezuela, onde operamos de forma ininterrupta desde 1993”.

A Repsol também afirma que o acordo garante “os mecanismos de pagamento”, sem dar mais detalhes. A Venezuela mantém uma dívida de vários bilhões de dólares com a Repsol e com o grupo italiano Eni.

Até março de 2025, a Repsol vinha recebendo cargas de petróleo venezuelano como pagamento pelo petróleo e gás fornecidos para geração de energia. No entanto, a pressão dos EUA sobre Caracas e a retirada das licenças por Trump interromperam esses pagamentos, aumentando a já significativa dívida do país com a empresa.

O acordo foi firmado com o Ministério de Hidrocarbonetos da Venezuela e a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) e “se enquadra na licença geral emitida pela Administração dos Estados Unidos”, explicou a companhia.

O acordo faz parte dos esforços apoiados pelos EUA para reconstruir a indústria petrolífera do país após a captura de Maduro por Washington em janeiro. Ele segue um acordo firmado nesta semana entre a Chevron e Caracas, que permite à empresa americana expandir significativamente suas operações no país.

Segundo dados da empresa, a produção de petróleo da Repsol na Venezuela chega atualmente a 45 mil barris por dia. Em 2025, chegou a produzir 1,2 milhão de barris diários, um avanço em relação aos 300 mil barris extraídos em 2020, mas ainda longe dos três milhões alcançados em seu pico histórico no início do século.

“Agora vemos que poderíamos aumentar a produção bruta de petróleo na Venezuela em mais de 50% nos próximos 12 meses”, explicou em fevereiro o diretor-geral da empresa, Josu Jon Imaz, em uma conferência com analistas, celebrando que a nova situação no país abria “uma nova janela de oportunidade”.

“Temos a ambição e vemos muita margem para alcançar esse objetivo de multiplicar por três a produção em três anos”, acrescentou Imaz, embora, por enquanto, a “contribuição inicial será continuar fornecendo gás para estabilizar o país”.

No mês passado, a Repsol e a empresa italiana ENI já haviam assinado outro acordo estratégico com as autoridades venezuelanas e a PDVSA para garantir a sustentabilidade da produção de gás natural durante todo o ano de 2026 da empresa Cardón IV (participada em 50% por ambas as companhias) e reforçar a estabilidade de longo prazo das operações.

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