Repressão à onda de protestos no Irã já deixou cerca de 5 mil mortos, diz fonte do governo
Cerca de 5 mil pessoas morreram em decorrência da repressão à onda de protestos no Irã, segundo afirmou neste domingo (18) uma fonte do governo iraniano à agência Reuters. O número ainda não foi confirmado oficialmente pelas autoridades do país.
Os protestos começaram há mais de 20 dias, inicialmente motivados pela crise econômica e pelo alto custo de vida, mas rapidamente passaram a incluir pedidos pelo fim do regime dos aiatolás, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979. A repressão violenta às manifestações, com relatos de policiais e militares atirando contra manifestantes, gerou condenação internacional e reacendeu tensões com os Estados Unidos.
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O governo iraniano nega responsabilidade pelas mortes e afirma que civis e agentes de segurança teriam sido mortos por manifestantes que incitam a violência. Teerã também acusa os Estados Unidos de infiltrar agentes nos protestos.
Organizações de direitos humanos apresentam balanços divergentes. A ONG americana HRANA contabilizou ao menos 3.308 mortos, com milhares de casos ainda sob análise, além de cerca de 24 mil presos. Já a Iran Human Rights, com sede na Noruega, fala em 3.428 manifestantes mortos, enquanto o canal oposicionista Iran International menciona até 12 mil vítimas.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, voltou a condenar os protestos neste sábado (17) e afirmou que o país tem a obrigação de “quebrar as costas dos insurgentes”. Ele responsabilizou o presidente dos EUA, Donald Trump, pelas mortes e acusou Washington de conspirar para desestabilizar o país.
Desde o início da repressão, o governo iraniano impôs severas restrições à internet, dificultando a verificação independente dos números e a comunicação da população com o exterior.
