Representantes do governo interino do RJ dizem que encontraram o estado em 'absoluta falência moral'
Representantes da cúpula do governo interino do RJ, sob a gestão do desembargador Ricardo Couto, afirmaram, nesta sexta-feira (22), que encontraram o estado em situação de “absoluta falência moral” e defenderam uma resposta articulada contra o crime organizado, em meio a exonerações, auditorias em contratos e suspeitas de irregularidades na máquina pública estadual.
A declaração foi feita pelo procurador do Estado, Rafael Rolim, presidente da Cedae, durante o Seminário Diálogos sobre Segurança Pública 2026, realizado pela FGV, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
Segundo ele, o crime organizado no Rio se sofisticou e hoje atua não apenas nas comunidades, mas também por meio de empresas legalmente constituídas e estruturas infiltradas no poder público.
"Há uma situação constatada e verificada — a expressão é dura, mas necessária — de absoluta falência moral no nosso estado: a normalização da ideia de que 'é assim, sempre foi assim e será assim'. Acredito que as pessoas que têm entrado nessa luta, nestes ainda poucos dias de gestão, estão tentando dar um recado para toda a sociedade. Não apenas para a sociedade fluminense, mas para a própria sociedade brasileira, ministro, de que sim: é possível enfrentarmos a situação posta no Estado do Rio. E isso não apenas por meio das nossas bravas forças policiais, mas com o envolvimento de toda a política e de todas as instituições.”
Depois da fala, Rolim afirmou que o governo interino tenta romper com a ideia de que a crise do Estado é permanente e sem solução.
Ele também disse que o enfrentamento precisa envolver diferentes instituições, além das forças policiais.
O seminário acontece ao longo desta sexta-feira e reúne representantes das polícias do Rio e de São Paulo, integrantes do governo estadual e especialistas em segurança pública.
Também estão previstos os lançamentos de estudos sobre a internacionalização do PCC e o uso de inteligência artificial contra pistas clandestinas na Amazônia.
O debate acontece dois dias depois de o Ministério Público do Rio pedir ao governo estadual documentos sobre exonerações, contratos suspeitos e medidas administrativas adotadas desde o início da gestão interina.
O ofício cita a saída de cerca de 2,5 mil comissionados sob suspeita de serem funcionários fantasmas, auditorias em mais de 6,7 mil contratos que somam mais de R$ 81 bilhões, além de apurações envolvendo RioPrevidência, Cedae e Secretaria de Fazenda.
