O representante de Taiwan em Washington, Alexander Yui, afirmou nesta quarta-feira que as relações com os Estados Unidos permanecem fortes após a cúpula do mês passado entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping. Ao mesmo tempo, ele ressaltou a importância da entrega em tempo hábil de equipamentos de defesa americanos.
Trump adiou a aprovação de um novo pacote de vendas de armas a Taipé no valor de US$ 14 bilhões para preservar as boas relações e uma frágil trégua comercial com Xi, depois de ter aprovado um pacote de armamentos de US$ 11 bilhões em dezembro.
Yui disse durante um simpósio que Washington deixou claro que não houve mudança em sua posição em relação a Taiwan e acrescentou: “Posso dizer com bastante confiança que as relações entre EUA e Taiwan continuam fortes.”
Ele afirmou que a maneira mais eficaz de preservar a paz era por meio da força e de “garantir que uma agressão jamais possa ser considerada uma opção fácil ou de baixo custo”.
“Para que a dissuasão seja crível, nosso próprio investimento também precisa ser acompanhado por entregas em tempo hábil, treinamento eficaz e capacidade de transformar esses investimentos em capacidades reais de dissuasão”, disse.
Trump afirmou, após se reunir com Xi em Pequim em maio, que estava segurando o pacote de US$ 14 bilhões e o descreveu como uma “ótima moeda de troca”. A China, que considera Taiwan parte de seu território, tem pedido reiteradamente o fim das vendas de armas.
Embora os EUA, assim como a maioria dos países, não mantenham relações oficiais com Taiwan, que é governada democraticamente, a legislação americana exige que Washington forneça à ilha os meios necessários para se defender.
Yui disse que a recente chegada a Taiwan dos dois primeiros novos caças F-16 era um exemplo bem-vindo do progresso contínuo com os EUA no fortalecimento da capacidade de autodefesa da ilha e acrescentou: “À medida que avançamos, a cooperação entre EUA e Taiwan continuará sendo fundamental para esses esforços.”
A Reuters informou neste mês que autoridades americanas acreditam que uma invasão chinesa de Taiwan antes de 2028 é cada vez menos provável, apesar das instruções de Xi para que suas Forças Armadas estejam prontas até 2027 para tomar a ilha pela força, se necessário. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à direita, e o presidente da China, Xi Jinping, chegam para assistir a uma revista militar no Jardim das Rosas da Casa Branca, em Washington AP/Alex Brandon
Yui, que falou enquanto o ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Lin Chia-lung, e a ex-presidente Tsai Ing-wen visitavam os EUA, disse que a preparação de Taiwan não estava baseada em nenhuma data específica.
“Há diferentes opiniões sobre talvez 2027, talvez 2028 ou depois”, afirmou. “Mas nossa responsabilidade é a mesma: tornar Taiwan mais forte, mais resiliente e mais difícil de ser coagida pelo adversário.”
Ao participar do mesmo evento por videoconferência, Lin afirmou que Taiwan e os EUA se tornaram parceiros “verdadeiramente simbióticos”, citando a cooperação em semicondutores, inteligência artificial e segurança das cadeias de suprimentos.
Ele destacou os investimentos da fabricante taiwanesa de chips TSMC no Arizona, onde inaugurou nesta semana um novo escritório de representação de Taipé, afirmando que isso mostrava como os laços econômicos criavam interesses compartilhados e confiança de longo prazo.
Taiwan é o principal fabricante mundial de chips de última geração, e a TSMC, maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, investiu dezenas de bilhões de dólares em instalações em Phoenix. Os projetos receberam subsídios significativos dos EUA, enquanto Washington busca revitalizar a produção doméstica de semicondutores.
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