Reposição hormonal tem idade certa? Cardiologista metabólica explica quando ela é indicada

 

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A recente declaração do cantor Zé Felipe sobre estar fazendo reposição hormonal aos 27 anos reacendeu um debate importante: afinal, existe uma idade ideal para iniciar esse tipo de tratamento? Cada vez mais presente nas redes sociais e em clínicas, a reposição hormonal ainda gera dúvidas — e também preocupações.

Tradicionalmente associada ao envelhecimento, como nos casos de menopausa, nas mulheres, e andropausa, nos homens, a reposição hormonal vem ganhando novos contornos. De acordo com a cardiologista metabólica Priscila Sobral, a indicação não está diretamente ligada à idade, mas sim a uma avaliação clínica criteriosa.

Segundo a especialista, o ponto central não é a idade cronológica, e sim o equilíbrio hormonal do paciente, aliado aos sintomas apresentados e aos resultados de exames.

“Não existe uma idade padrão para iniciar reposição hormonal. O que existe é indicação clínica. Já atendemos pacientes jovens com deficiência hormonal comprovada, assim como pessoas mais velhas que não precisam de reposição”, afirma.

A médica alerta, no entanto, para a banalização do tratamento, especialmente entre jovens influenciados por promessas de melhora estética ou de desempenho físico.

“O problema é quando esse tipo de terapia passa a ser visto como atalho para performance, estética ou emagrecimento. Hormônio é coisa séria e precisa de diagnóstico, exames e acompanhamento médico”, completa.

No caso dos homens mais jovens, a baixa de testosterona pode ter causas que vão além de questões hormonais primárias.

“No homem jovem, por exemplo, uma baixa de testosterona pode estar relacionada a fatores como estresse crônico, privação de sono, sedentarismo e até alimentação inadequada — e nem sempre a reposição é o primeiro caminho”, explica.

Entre as mulheres, embora a reposição hormonal seja mais comum durante o climatério, também pode ser indicada em outras situações específicas.

“Na mulher, a reposição é mais comum no climatério, mas também pode ser indicada antes, em casos específicos, como falência ovariana precoce ou sintomas hormonais importantes.”

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a reposição hormonal deve ser encarada como um tratamento médico individualizado, e não como tendência. A avaliação profissional, com base em exames e histórico clínico, é essencial para garantir segurança e eficácia.