Reportagens sobre conflito no Oriente Médio e Donald Trump ganham Prêmio Pulitzer
A Universidade de Columbia em Nova York anunciou na segunda-feira os 23 ganhadores do Prêmio Pulitzer, concedido desde 1917 aos profissionais de jornalismo, literatura, teatro e música que se destacaram no mercado americano no ano anterior. O comitê organizador distinguiu vários trabalhos focados na política capitaneada pelo presidente Donald Trump. A guerra entre Israel e Gaza também marcou a premiação deste ano.
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O jornal New York Times ganhou Pulitzers por quatro produtos: uma reportagem sobre como o presidente Donald Trump está lucrando com suas negociações; outra para o podcast “Pablo Torre Finds Out”, do site The Atletic, que pertence ao NYT; um na categoria de artigo de opinião, por colunas de M. Gessen sobre a ascensão do autoritarismo; e outro por uma série do fotojornalista palestino Saher Alghorra que retrata a privação generalizada de alimentos entre os palestinos em Gaza como resultado da guerra com Israel.
Segundo o comitê do Pulitzer, Alghorra mereceu o prêmio pela “série comovente e sensível que retrata a devastação e a fome em Gaza resultantes da guerra com Israel”.
A repórter Hannah Natanson, do Washington Post, ganhou o prêmio por sua cobertura sobre o Departamento de Eficiência Governamental, criado por Elon Musk em 2025, e os cortes do governo Trump no contingente de funcionários de agências federais dos EUA. Devido a essa cobertura, Hannah foi alvo de uma operação do FBI em janeiro passado, quando agentes entraram em sua casa, revistaram o local e apreenderam celulares dela e dois notebooks. O FBI disse em versão oficial que a operação na casa de Hannah foi necessária para uma investigação de vazamento de informações confidenciais envolvendo um contratante do governo federal que teria retido de forma ilegal documentos de defesa nacional.
A agência de notícias Reuters ganhou dois prêmios. O primeiro por reportagens revelando como a gigante da mídia social Meta, controladora de Facebook, WhatsApp e Instagram, expôs conscientemente usuários, incluindo crianças, a chatbots de inteligência artificial prejudiciais e a anúncios perniciosos. As denúncias mostraram que a empresa ganhou cerca de 10% de sua receita anual, ou cerca de US$ 16 bilhões, veiculando bilhões desses anúncios a cada dia. A agência também recebeu prêmio pela cobertura da campanha de vingança política de Trump sobre seus oponentes políticos.
O Pulitzer também contemplou trabalhos de outros veículos americanos.
Literatura
O escritor Daniel Kraus venceu na categoria ficção com o romance “Angel Down”, sobre soldados da Primeira Guerra Mundial que encontram um anjo caído entre os mortos na Terra de Ninguém — história que Kraus narra inteiramente em uma única frase ao longo de 300 páginas da edição americana.
Na categoria de livros de História, a vencedora foi Jill Lepore, por “We the people: a history of the U.S. Constitution”, que mostra por que é difícil de fazer emendas à Constituição americana.
Brian Goldstone, de “There is no place for us: working and homeless in America”, ganhou na categoria não ficção com “uma façanha de reportagem, análise e narrativa focada nas questões que criaram uma crise nacional de famílias sem-teto”.
Já a coletânea “Ars Poeticas”, de Juliana Spahr, foi premiada na categoria poesia por “examinar sua relação com sua forma de arte, comunidade e política”, segundo o comitê.
Na categoria música, o prêmio ficou com “Picaflor: a future myth”, de Gabriela Lena Frank, homenageada por uma “obra sinfônica inspirada em suas experiências pessoais com incêndios florestais na Califórnia e lendas andinas”. O livro acompanha um beija-flor em suas tentativas de escapar de cataclismos. (Do New York Times, com agências internacionais)
