Reportagem do GLOBO dá origem a romance sobre mulher que prendeu o assassino do pai após 25 anos do crime

 

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“Agora, podem ficar tranquilos. O assassino do meu pai foi preso”, escreveu Gislayne Silva de Deus, aliviada, a seus familiares no dia 25 de setembro de 2024. Na ocasião, o GLOBO publicou uma reportagem sobre a trajetória de Gislayne, escrivã da Polícia Civil de Roraima, que deu voz de prisão a Raimundo Alves Gomes, condenado pela morte de Givaldo José Vicente de Deus por uma dívida de R$ 150. Ao ler a matéria, a escritora Luciana de Gnone, autora de romance policial protagonizado por mulheres, foi fisgada pela história e viu em Gislayne a protagonista do seu sétimo livro, agora baseado em fatos. Após 19 meses de produção, com investigação in loco, “Voz de Prisão” será lançado na próxima segunda-feira, na Janela Livraria, no Rio de Janeiro, com uma conversa entre Luciana, Gislayne e a atriz Carol Castro.

Leia a reportagem: Após 25 anos do crime, filha se torna policial e prende assassino do pai em Roraima: 'Justiça foi feita'

Além de livro, a história de Gislayne, de 35 anos, também inspirou filme — ou série —, que será produzido e protagonizado por Carol Castro e adaptado por Luciana.

Na tarde do dia 16 de fevereiro de 1999, Givaldo saiu com um amigo para jogar sinuca no Bar da Vanuza, em Asa Branca, em Boa Vista. Segundo o relato de Gislayne, seu pai estava devendo R$ 150 a Raimundo, que tinha uma "vendinha" na região. Armado com um revólver, o comerciante, então, foi cobrar o pai de Gislayne. Depois de uma luta corporal dentro do bar, Raimundo deu um tiro no umbigo de Givaldo, que foi levado para o Hospital Geral de Roraima, mas não resistiu.

Gislayne tinha 9 anos quando recebeu a notícia do assassinato. Quando jovem, não imaginava seu futuro na área criminal. Com a morte de seu pai, porém, seus objetivos de vida mudaram. Crescendo sob o impacto da perda, ela decidiu que sua missão seria buscar justiça não apenas para sua família, mas também para outras que, como a dela, sofreram com crimes impunes.

Gislayne com seu pai e irmão

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Em entrevista ao GLOBO, Gislayne disse que, após a morte do pai, via as dificuldades que sua mãe e madrasta enfrentavam, e como a presença dele poderia ter evitado tantos desafios.

— Meu pai chegou a ficar internado por dois dias. Depois disso, minha mãe me disse sobre a morte dele — contou Gislayne, em 2024. — Eu tenho lembranças das brincadeiras do meu pai de morder e de passar a barba na gente.

'Voz de Prisão'

Raimundo Gomes, então com 60 anos, foi preso em uma chácara, no bairro da Nova Cidade, em Boa Vista, onde se escondia para escapar da Justiça. Uma operação, realizada com o apoio do Departamento de Inteligência (Deint) da Secretaria da Segurança de Roraima, foi montada para sua captura, e a oficial responsável por dar voz de prisão ao fugitivo foi Gislayne.

— Eu que pedi a sua prisão e o senhor vai pagar por ter deixado cinco crianças órfãs — disse Gislayne, olhando no olho de Raimundo, na noite daquele dia 25.

“Voz de Prisão” (MapaLab), inclusive, é o título do livro inspirado na história de Gislayne, romanceada por Luciana de Gnone, que será lançado na próxima segunda-feira, às 19h, na Janela Livraria de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Livro será lançado no Rio de Janeiro

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À época da prisão, Gislayne disse ao GLOBO que sentia um misto de paz e alívio, e que a “justiça, finalmente, havia sido feita”.

De acordo com a sentença da Justiça de Roraima, assinada pelo juiz Iarly José Holanda de Souza​, Raimundo Alves Gomes foi condenado por homicídio qualificado, "cometido por motivo fútil". A pena foi fixada em 12 anos de reclusão.

— Depois da morte dele, sempre busquei pela resolução do caso e que o responsável fosse preso. Eu queria dar orgulho pro meu pai.