O governo de Portugal descartou fazer uma reparação histórica às ex-colônias onde houve tráfico de pessoas escravizadas, incluindo o Brasil. A negativa foi declarada no Parlamento por Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, o equivalente ao Itamaraty no Brasil:
– Nós nunca (somos favoráveis às reparações), em caso algum, e basta conhecer o governo da Aliança Democrática (centro-direita) e conhecer o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros para saber que nunca aconteceria. A recusa acontece após Portugal se abster em votação na Organização das Nações Unidas (ONU) este ano sobre a condenação do tráfico de africanos escravizados.
A resolução da ONU declarou o tráfico de africanos escravizados como o "crime mais grave contra a Humanidade". O último a defender uma reparação histórica, em duas ocasiões, foi o ex-presidente Marcelo Rebelo de Sousa.
Foi mais um marco simbólico do que o anúncio de medida concreta. Maioria no Parlamento português, a direita descarta pagar pelos custos da escravidão.
Um movimento forte na ultradireita que se estendeu pelo hemiciclo. Como publicou o Portugal Giro, Portugal decidira fazer um inventário dos tesouros extraídos das ex-colônias.
Mas o Executivo atual vetou. Cerca de 5,8 milhões de africanos escravizados foram desembarcados como mercadoria no Brasil enquanto ex-colônia portuguesa.
Foram quase 10 mil viagens a partir da África em três séculos. O "Slave Voyages" estima que mais de 12 milhões de africanos escravizados foram capturados e comercializados ao redor do mundo.
Rangel assumiu que "até houve erros na nossa História" e sugeriu fazer gestos de "reconciliação" com as ex-colônias.
O Globo