Renovação com Ancelotti 'recupera' o tempo perdido na seleção brasileira

 

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O anúncio oficial da renovação antecipada (pelo ciclo de quatro anos!) dos contratos de Ancelotti e sua comissão técnica, incluindo o do coordenador de seleções Rodrigo Caetano, recupera, em parte, o tempo perdido pela CBF nos últimos três anos da gestão de Ednaldo Rodrigues. Mas vai além disso: agora é possível ter a certeza de que o trabalho tem o olhar voltado para o futuro, como nos ciclos que precederam as duas últimas Copas conquistadas pela seleção brasileira.

Entre os 58 convocados por Carlo Ancelotti nos 11 meses à frente do maior símbolo nacional, já havia um ou outro sinal de que o foco não estava só na conquista deste Mundial nos Estados Unidos, no México e no Canadá. E um dos mais evidentes é a garimpagem para o próximo ciclo, com a presença de jogadores nascidos há cerca de 20 anos, como Estêvão, Endrick, Rayan e Vitor Reis, da geração 2006/2007. Ou até mesmo Andrey Santos e Vitor Roque, nascidos entre 2004/2005.

A construção de um núcleo de trabalho estruturado, com um executivo de futebol capacitado e experiente, que faça a gestão de todas as categorias de base da seleção conectando-se com a filosofia do treinador da principal foi mais ou menos o que permitiu a construção de seleções fortes entre 1994 e 2006 — ano da última seleção formada por jogadores de qualidade insuspeita, trabalho quase todo entregue a Zagallo, Parreira e Felipão. Não à toa, o Brasil fez três de quatro finais.

Se a seleção chega a esta Copa do Mundo sem ter ainda um time que conecte os brasileiros e se, ao contrário de anos anteriores, não é percebida como favorita ao titulo a culpa é exclusivamente do então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, afastado do cargo no ano passado. E principalmente por ter demorado a entregar a gestão do departamento a um profissional do ramo. Ednaldo brincou de ser dublê de dirigente estatutário e executivo de futebol e comprometeu este ciclo.

Samir Xaud, o atual presidente, é um agente politico levado ao cargo através de costuras nos bastidores do poder, em Brasília. Mas não está fazendo feio. Pelo contrário: até aqui, tem agido como pacificador entre os clubes e bom gestor dos interesses do futebol brasileiro. Sobretudo, os da seleção. Talvez, possa ser coroado com uma participação acima da expectativas lá nos Estados Unidos.

Vejamos.