Renato Gaúcho é mais uma vítima de uma torcida cansada e da falta de quem assuma a responsabilidade no Vasco
Renato Gaúcho foi ofendido por parte da torcida do Vasco, e até hostilizado com arremessos de copos plástico durante a derrota para o Bragantino, no último domingo, em São Januário. Hoje à noite, o time volta ao estádio para enfrentar o Barracas Central, pela Sul-Americana, e estranho o fato de o presidente Pedro Paulo não ter prestado, publicamente, seu apoio ao treinador. O que me faz crer na possibilidade de um rompimento precoce, sob a desculpa do esgarçamento na relação com os torcedores.
Torço para estar equivocado. O cargo de treinador do Vasco é uma das funções mais desgastantes da estrutura do clube e estará periodicamente vago enquanto não tiver um diretor-executivo que assuma o projeto esportivo. Renato tem cerca de 75 dias de trabalho, aproveitamento de 50% dos pontos, e um elenco que oscila entre a mediocridade e a superação técnica. Pior: sem que um responsável pela suposta “reconstrução da dignidade” se apresente para ao menos acalmar os vascaínos.
Responsabilizar Renato por um ou outro tropeço é ignorar o dinheiro mal gasto na contratação de jogadores de qualidade técnica duvidosa. É esquecer que Fernando Diniz, campeão da Libertadores pelo Fluminense, em 2023, e vice da Copa do Brasil no ano passado, pelo próprio Vasco, deixou São Januário também criticado e hostilizado pelo aproveitamento de 44,4%. Foi mais uma vítima da massa que, cansada de tanto sofrimento, não tem quem comunique com clareza que o treinador não é o culpado.
O curioso é que desde que criou a sua SAF e vendeu as ações para a 777, o Vasco vem sendo gerido, mesmo aos trancos e barrancos, com capacidade financeira para adquirir direitos econômicos. Vantagem que os últimos presidentes não tiveram - e aqui não vem ao caso lembrar que são compras parceladas. O fato é que, apesar das dificuldades econômicas e do processo de recuperação judicial, houve orçamento para contratações vultuosas. Faltou competência para empregar bem os recursos.
Em rápida pesquisa, constatei que dos 13 últimos técnicos do Vasco, desde a primeira passagem de Jorginho em 2015 e já contando com Renato, o único a superar os 60% foi Ramon Menezes, com 64,2%. Ainda assim, no curto recorte de onze jogos. Os demais, descontando interinos e Álvaro Pacheco, frito em quatro jogos, oscilaram entre os 33,3% de Sá Pinto e os 58% do próprio Jorginho. Ou seja: a mediocridade não pode ser atribuída aos treinadores.
