O candidato do partido Missão à Presidência da República, Renan Santos, afirmou que, se eleito em outubro, terá de compor seu governo com partidos do Centrão, e disse que não acatará determinadas decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (5), ele também prometeu rigor no combate à violência no país e disse que cortará gastos para ampliar a capacidade de investimentos.
O candidato do Missão é o primeiro entre os principais presidenciáveis a participar da série de entrevistas promovida pela GloboNews e pelo portal g1.
Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Santos afirmou que aceita a alcunha de "antissistema" e disse acreditar que os brasileiros elegerão pelo menos 300 "parasitas" e "vagabundos" para o Congresso Nacional.
Segundo ele, isso o obrigará a negociar com esses parlamentares para conseguir garantir o funcionamento da máquina pública.
Ele reconheceu que não conseguirá governar sozinho, sob a justificativa de que o "Brasil está corrompido".
Questionado sobre sua relação com o STF, o candidato sinalizou discordâncias com decisões monocráticas (individuais) que anulem efeitos de atos do Executivo.
"A Constituição diz [o que é ou não ilegal].
Se eu cumpri o devido processo legal, e a medida passou pelo Congresso, e eu cumpri todos os ritos, não pode vir uma decisão monocrática parar o estrito cumprimento da lei", afirmou.
Segurança pública
Santos também comentou suas propostas para a área de segurança pública.
Disse que se inspira no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, no combate ao crime organizado.
Mas negou que pretenda reproduzir na íntegra a “bula” de Bukele – cujas medidas são questionadas por especialistas na área da segurança.
"Eu não sou o Bukele, sou brasileiro", afirmou.
Segundo o candidato, seu eventual governo recorreria a operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), mas sem "atropelar" o Supremo Tribunal Federal (STF) e respeitando os limites da legislação.
As operações, segundo ele, serão usadas para retomar áreas do país dominadas por facções criminosas.
“O Estado de Defesa representa a resposta para a reocupação do que é constitucional, que é o controle do nosso próprio território.
Se eu não recupero o território, estou prevaricando como presidente.
Eu preciso recuperar o território.
Senão o Brasil não é um país, é uma piada”, disse.
Questionado sobre o custo de seu plano para construir superpresídios, Santos afirmou não ter uma estimativa de gastos, mas que pretende cortar gastos, o que garantirá recursos necessários para investir na área.
Disse, porém, que considera necessário criar entre 300 mil e 500 mil vagas no sistema prisional.
Emendas parlmentares
O candidato do Missão afirmou que pretende disciplinar o funcionamento das emendas parlamentares.
O Orçamento de 2026 tem cerca de R$ 61 bilhões para serem executados por meio das emendas.
Ele propôs vincular o aumento das emendas parlamentares à ampliação do espaço fiscal obtido por meio de cortes de gastos.
Para abrir margem no Orçamento, disse que pretende reduzir renúncias fiscais, promover desindexação de despesas e atacar os supersalários no Judiciário.
“Quanto vocês aumentarem de espaço discricionário para aumento de investimento, o percentual da emenda é estabelecido”, disse.
O candidato acrescentou que a distribuição dos recursos também levaria em conta outros critérios, como o cumprimento de metas de políticas públicas por parte dos municípios beneficiados.
Na área econômica, Santos afirmou ter o presidente da Argentina, Javier Milei, como referência pela forma como conduziu o enfrentamento dos problemas econômicos do país durante a campanha presidencial.
