Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República, afirmou que o partido não conseguirá superar a cláusula de barreira. Segundo ele, a sigla deve eleger apenas Kim Kataguiri (Missão-SP) para a Câmara dos Deputados e Rafa Minato (Missão-SP) para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
“O resultado é ruim, não vamos passar da cláusula de barreira, vamos ter apenas um deputado estadual e um deputado federal no mesmo Estado. O resultado não é bom para o projeto, não é bom para o que a gente desenhava”, disse em transmissão ao vivo para comentar o resultado da eleição.
“Para nós, esse é um resultado muito pior do que nós esperávamos. Provavelmente nós faremos apenas o Kim [Kataguiri] federal e o [Rafa] Minato estadual. Nos outros Estados não vamos conseguir nada”, acrescentou.
Cláusula de barreira Também chamada de cláusula de desempenho, a regra estabelece critérios mínimos para que os partidos tenham acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão. Ela foi criada, por exemplo, para reduzir a fragmentação partidária e aumentar a representatividade das legendas.
Para a eleição de 2026, há dois caminhos para superar a cláusula de barreira: obter ao menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove Estados, com mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada um deles; ou eleger pelo menos 13 deputados federais, também distribuídos em pelo menos nove Estados.
A expectativa anterior do Missão, conforme mostrou o Valor, era eleger quatro deputados federais no Sudeste, dois no Sul e outros dois no Nordeste.
Sobre a disputa presidencial, Santos classificou como “acachapante” a concentração de votos, segundo ele, em candidatos do PL.
“O Brasil está virando um Republicanos versus Democratas. O PL está devastando o Centrão, o PL vai fazer uma bancada de mais de 120 deputados federais. É colossal o tamanho, vão concentrar ainda mais poder na mão deles”, afirmou.
Embora não declare apoio a nenhum dos candidatos que disputarão o segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Santos afirmou que o senador já é “o próximo presidente da República”.
“Flávio Bolsonaro já é o próximo presidente da República. Já avisei que não voto em bandido, não recomendo que ninguém vote em bandido. Flávio é bandido, Lula é bandido”, disse. Santos classificou o resultado como “pior eleição” e “devastadora”. Para o candidato do Missão, uma eventual vitória do Flávio significaria entregar o Brasil para "a turma do Trump". "Vai ser um misto de trumpismo externo com submissão e relações espúrias com o Centrão. É o fim de qualquer possibilidade de prisão ou investigação dos envolvidos no escândalo do INSS e do Banco Master", afirmou.
4º lugar Apesar do desempenho abaixo do esperado, Santos — que obteve 2,24% dos votos (2,67 milhões), terminando o primeiro turno em 4º lugar — elogiou a equipe e disse estar “orgulhoso” dos candidatos do Missão. “Para nós que fizemos isso com muito pouco dinheiro e com novatos, não há o que reclamar do time. Fizemos o máximo que dava para fazer, com o mínimo de recursos”, declarou.
Santos também destacou ter terminado a eleição à frente de dois ex-governadores e candidatos à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), de Goiás e Minas Gerais, respectivamente. “Quando eu falo que foi devastador, não falo que foi especificamente para gente”, disse. Caiado terminou o primeiro turno em quinto lugar e Zema em sexto.
Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão REUTERS/Jean Carniel
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