O presidente do Missão e candidato derrotado à Presidência, Renan Santos, em entrevista ao Estúdio I, fez uma análise sobre os jovens de direita eleitos com milhões de votos. Para ele, hoje a política se tornou mero entretenimento nas redes sociais e o Congresso agora é formado por influenciadores. — A direita é entretenimento em rede social. A gente tem que entender: hoje, a política é determinada por entretenimento, via vídeos curtos para Instagram, TikTok. E a direita, antigamente, não tinha esse espaço institucional. Era um problema clássico da direita. Isso foi resolvido através das redes sociais. E a direita é muito boa em produzir esses conteúdos nas redes sociais e em mobilizar os seus seguidores nisso. Não que isso não aconteça à esquerda, é que a direita é bem mais efetiva nisso. Segundo Renan Santos, a eleição dessas lideranças jovens do bolsonarismo com uma agenda convencionalista aponta isso. Nesse meio, ele e Ronaldo Caiado não são entendidos como pessoas de direita, ou sequer antipetistas. — Não há espaço algum para alternativa, mesmo em termos de propostas. As pessoas não estão mais à direita votando em propostas. Eu acho que esse recado está dado para todo mundo, inclusive para o Centrão, porque o Centrão também perdeu espaço eleitoral colossal, especialmente nas eleições majoritárias, eleições para o Executivo. E eu acho que está todo mundo um pouco assombrado com isso. E jovens têm mais tempo, mais capacidade de usar, mais exposição ao risco para fazer vídeos, por exemplo, de rua. Isso fez com que fosse criado todo um universo de entretenimento político à direita, com causas que não se refletem na vida material das pessoas. Ele citou a expressiva votação de Lucas Pavanato, deputado federal eleito que recebeu 3 milhões de votos, que, segundo sua análise, foi impulsionada por pautas contra a agenda identitária, como a discussão sobre o uso de banheiros por pessoas transexuais. — Definitivamente, achar que você vai ter 3 milhões de votos para combater trans no banheiro é meio maluco. Mas por quê? Porque isso é um grande entretenimento nas redes sociais. E a verdade é que a política se tornou mero entretenimento. E eu tenho uma passagem, por isso já falei disso muitas vezes, mas, infelizmente, isso já cruzou uma linha em que o Congresso Nacional hoje é um congresso de influenciadores, não de políticos. (...) E pauta política nenhuma será discutida fora do crivo da vontade das redes sociais. Isso é bem preocupante. Renan voltou a dizer que não vai apoiar ninguém no segundo turno e analisou que o recado das urnas é o da solidificação, da calcificação dos blocos políticos brasileiros, quase aos moldes norte-americanos. — E isso a democracia brasileira, especialmente a democracia brasileira após 88, não estava acostumada. A gente tinha um pluripartidarismo com eleições que se definiam no segundo turno.
Renan Santos: 'A direita é entretenimento em rede social. Congresso hoje é um congresso de influenciadores'
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