Remoção de árvores: prefeito recebe artistas e ambientalistas para discutir supressão de vegetação em terrenos de novos empreendimentos imobiliários

Remoção de árvores: prefeito recebe artistas e ambientalistas para discutir supressão de vegetação em terrenos de novos empreendimentos imobiliários

 

Fonte: Bandeira



Artistas, ambientalistas, urbanistas e representantes de associações de moradores vão se reunir na manhã desta quarta-feira (27) com o prefeito Eduardo Cavaliere para discutir a política ambiental e urbanística da cidade, em meio a uma série de protestos, em diferentes áreas da Rio, acerca da derrubada de árvores em terrenos onde serão erguidos novos empreendimentos imobiliários.

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O encontro será no Centro Administrativo São Sebastião, na Cidade Nova, e foi motivado pela elaboração da “Carta por um Rio Mais Verde”, documento concebido por representantes da sociedade civil que reúne 13 propostas voltadas a preservação ambiental, transparência no licenciamento urbano e ampliação da arborização da cidade. Entre os participantes confirmados estão os cantores Leo Jaime e Pedro Luís e as atrizes Maria Padilha e Alexia Dechamps, além de integrantes da Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro e da Associação de Moradores e Amigos da Gávea.

— Temos uma boa expectativa do encontro com o prefeito do Rio — afirmou o deputado Carlos Minc, um dos articuladores do encontro, ao lado da vereadora Tatiana Roque. — Ele recebeu uma carta com proposta concreta para redução de impacto no meio ambiente, como, por exemplo, fazer estudo de impacto de vizinhança e cobrar as 300 mil árvores que os construtores deveriam plantar e não plantaram.

Minc disse que o objetivo da reunião é abrir um canal de diálogo permanente sobre o tema.

— A expectativa é que ele diga com quais os pontos ele concorda, quais irá tocar e de quais discorda. Abrir um diálogo e ver o que pode ser feito de fato para melhorar a situação — completou.

O manifesto “Carta por um Rio Mais Verde” foi elaborado após a autorização da prefeitura para cortes de árvores em áreas como o terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, e na Gávea. Segundo o movimento, no momento há previsão de cerca de 400 árvores na Gávea, o que vem mobilizando a associação de moradores local.

No texto da carta, os organizadores afirmam haver “profunda preocupação com a atual política de desenvolvimento urbano” da cidade e cobram esclarecimentos sobre os critérios ambientais adotados pela prefeitura nos processos de licenciamento e execução de novos empreendimentos.

O documento também afirma que o Rio apresenta atualmente um déficit superior a um milhão de árvores a serem plantadas, sendo mais de 300 mil reconhecidas oficialmente pela própria Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Outro ponto levantado pelo movimento é a suposta falta de transparência nos processos de compensação ambiental e o descumprimento recorrente de estudos de impacto de vizinhança previstos na legislação municipal.

“O ritmo acelerado de transformação urbana, sustentado por um discurso de desenvolvimento que desconsidera a crise climática global, os riscos à saúde humana decorrentes do aumento das temperaturas, o desequilíbrio ecológico, os riscos de alagamentos e deslizamentos de encostas, bem como os impactos no trânsito, no bem-estar da população e no turismo, tem gerado prejuízos profundos à cidade”, diz trecho da carta.

Volta do licenciamento à Smac

Entre as 13 propostas apresentadas ao prefeito e ao vice-prefeito, o grupo pede a exigência sistemática de relatórios de impacto de vizinhança em toda a cidade, considerando o conjunto de obras previstas em cada bairro, especialmente em relação às ilhas de calor, trânsito, saneamento e infraestrutura urbana.

Os organizadores também defendem o retorno integral do licenciamento ambiental à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, maior rigor técnico para autorizações de podas e remoções de árvores e a elaboração de um inventário oficial da arborização urbana do Rio.

Outro ponto é a cobrança por transparência sobre compensações ambientais pendentes. O movimento pede que empresas devedoras sejam impedidas de receber novas licenças até cumprirem integralmente as obrigações ambientais assumidas.

Os signatários ainda solicitam a suspensão definitiva da venda de lotes e áreas verdes municipais para empreendimentos imobiliários, além de auditorias independentes sobre o Fundo Municipal de Meio Ambiente.

O manifesto recebeu apoio público de artistas como Anitta, Marisa Monte, Ney Matogrosso e Xuxa, e vem circulando nas redes sociais em busca de assinaturas de apoio.

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