Remédio popular para hipertensão pode ter efeito na perda de peso; saiba qual é

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um dos medicamentos para controle da pressão arterial mais conhecidos do mundo pode ter um efeito inesperado na perda de peso. A descoberta foi de cientistas da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos.

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A nova pesquisa apontou que a losartana tem potencial de ativar a gordura marrom, um tipo de tecido adiposo que queima calorias para produzir calor. Os cientistas analisaram prontuários médicos de mais de 100 mil pacientes com câncer para chegar a essa caminho.

Eles complementaram a análise em experimentos com camundongos e células cultivadas em laboratório. Nos testes com cobaias e amostras de células adiposas, a losartana ativou esse tecido por meio de uma via independente daquela responsável pela redução da pressão arterial.

Isso faz da losartana uma candidata a desempenhar uma função que nenhum medicamento aprovado exerce atualmente: aumentar a atividade da gordura marrom em seres humanos. Gordura antiobesidade

A gordura marrom ativa tem sido associada a menores taxas de diabetes e doenças cardíacas. O novo estudo também encontrou associações com menores índices de ansiedade e depressão.

Esse tipo de células queima calorias para produzir calor e, por isso, absorve o marcador de açúcar utilizado nos exames de PET. Isso permite que ela seja visualizada nas imagens feitas por pacientes com câncer para acompanhar a evolução da doença.

Os dados dos pacientes permitem concluir apenas que os usuários de losartana apresentavam mais gordura marrom, e não que o medicamento tenha sido responsável por isso. A equipe reuniu todos os exames desse tipo realizados no Memorial Sloan Kettering entre 2018 e 2024 e os acrescentou a uma base de dados anterior, totalizando 101.243 pacientes.

A gordura marrom apareceu em pelo menos um exame de 8.897 deles, pouco menos de 9%. Sua presença foi mais comum entre mulheres, pacientes mais jovens e em dias de temperaturas mais baixas.

Cada paciente com gordura marrom foi comparado a aproximadamente dois pacientes sem esse tecido, levando em conta idade, sexo, índice de massa corporal e temperatura externa no dia do exame. Em seguida, os pesquisadores compararam 511 códigos de diagnóstico entre os dois grupos.

A presença do câncer e os tratamentos recebidos foram considerados na análise. Dos 98 diagnósticos que apresentaram diferenças entre os grupos, 92 eram menos comuns entre as pessoas com gordura marrom.

As associações mais fortes foram observadas com o diabetes tipo 2, cuja probabilidade era menos da metade, e com a doença cardíaca isquêmica crônica, cuja probabilidade era aproximadamente 50% menor. Os transtornos de ansiedade e a depressão também estavam na lista, com probabilidades cerca de um quinto e um terço menores, respectivamente.

Segundo os pesquisadores, uma das hipóteses tem a ver com o fato de indivíduos metabolicamente saudáveis em geral apresentarem menor incidência de doenças psiquiátricas. Remédios relacionados

Em seguida, a equipe analisou 125 medicamentos utilizados pelos pacientes no mês anterior ao exame. Trinta e nove apresentaram alguma associação com a presença de gordura marrom.

Dois tipos de medicamentos já conhecidos por reduzir a atividade desse tecido — os betabloqueadores e os antidepressivos chamados inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) — apareceram associados a uma menor presença de gordura marrom. A losartana e seu medicamento semelhante, a valsartana, tiveram associação positiva: 2,4% dos pacientes com gordura marrom usavam losartana, ante 1,9% daqueles sem esse tecido.

A losartana bloqueia um receptor do hormônio angiotensina, mecanismo pelo qual reduz a pressão arterial. No entanto, em células de gordura marrom, o medicamento continuou funcionando mesmo depois que esse receptor teve sua atividade reduzida.

Isso indica que o efeito sobre o tecido adiposo ocorre por outra via. Os experimentos apontaram para uma proteína chamada PPAR-gama, que funciona como um regulador central envolvido no controle das células de gordura.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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