Relator Especial da ONU acusa EUA de execuções extrajudiciais em bombardeios contra embarcações no Caribe e no Pacífico
O Relator Especial da ONU para o combate ao terrorismo e para os direitos humanos, Ben Saul, acusou os Estados Unidos, nesta sexta-feira, de cometerem execuções extrajudiciais em seus ataques a bomba no Caribe e no Pacífico contra barcos apontados por Washington como ligados ao narcotráfico, que deixaram pelo menos 157 mortos.
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Desde setembro passado, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, vem conduzindo uma agressiva campanha marítima contra embarcações que seu governo acusa de serem tripuladas por traficantes de drogas.
— Essas execuções extrajudiciais em série violam gravemente o direito à vida — disse Saul em um vídeo exibido durante uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) na Cidade da Guatemala, onde foi abordada a questão do destacamento militar dos EUA na região.
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A campanha americana já realizou cerca de 45 ataques como os apresentados nesta terça-feira. Em poucas oportunidades houve sobreviventes, e há pelo menos um caso em que se tem notícia de que houve um duplo bombardeio, após a identificação de que o ataque inicial deixou sobreviventes.
O governo Trump insiste que está em guerra contra "narcoterroristas" — assim designados após a equiparação de organizações criminosas e organizações terroristas internacionais pelos EUA no começo do mandato Trump. O Pentágono, porém, não se preocupou em apresentar provas conclusivas de que as embarcações atingidas tinham envolvimento com qualquer grupo.
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O modus operandi gerou um acalorado debate sobre a legalidade das operações. Especialistas em direito internacional e grupos de direitos humanos afirmam que os ataques constituem execuções extrajudiciais, já que aparentemente tiveram como alvo civis que não representavam qualquer ameaça imediata aos EUA.
