Relator da PEC da Segurança, Mendonça Filho deixa União Brasil após mais de 40 anos e se filia ao PL
O deputado federal Mendonça Filho (PE) anunciou nesta quarta-feira que deixou o União Brasil, encerrando um ciclo de mais de quatro décadas, e se filiou ao PL. A decisão foi tomada pelo ex-ministro da Educação após desgastes na sigla, sobretudo diante da formalização da federação da legenda com o PP, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no mês passado.
MG: Carlos Viana deixa o Podemos e migra para o PSD de Mateus Simões para buscar a reeleição
Master: Relatório responsabiliza 30 dirigentes do BRB por compra de carteiras fraudulentas
A informação de que deixaria o União Brasil foi comunicada ao presidente nacional da sigla, Antônio Rueda, e ao vice ACM Neto por meio de carta. Segundo o deputado, a decisão “é fruto de uma reflexão madura e do desejo de seguir novos caminhos, sempre fiel ao propósito de trabalhar pelo povo e defender os interesses de Pernambuco e do Brasil”.
A filiação ao PL é fruto de um convite do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro e do senador Rogério Marinho. Durante encontro com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o presidente nacional da sigla, Valdermar Costa Neto, e o presidente estadual Anderson Ferreira, Mendonça Filho reforçou que fará oposição ao PT no estado.
— Sigo como uma voz de oposição ao PT e defendendo o funcionamento das instituições democráticas, com a separação de poderes respeitando a Constituição Federal — disse Mendonça Filho, que atua como relator da PEC da Segurança na Câmara.
O parlamentar, que é pré-candidato à reeleição na Câmara, aparecia como um dos nomes desejados por Flávio para disputar o Senado. A informação está presente em anotações feitas pelo senador durante reuniões na sede do PL.
Desafio em Pernambuco
Enquanto o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é disputado pelos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas que medem a disputa pelo governo de Pernambuco, Flávio encontra entraves para a consolidação de uma chapa no estado. A dificuldade na formulação de uma aliança em torno do bolsonarista ocorre após um racha no diretório estadual da sigla culminar na desfiliação do ex-ministro do Turismo Gilson Machado em janeiro deste ano.
O PL de Pernambuco é comandado atualmente pelo ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira, que conta com o apoio do irmão e deputado federal André Ferreira e o aval de Valdemar. Anderson assumiu o posto após Machado ser preso em julho do ano passado, acusado de ter tentado emitir um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid — condenado pela trama golpista — e auxiliado um plano de fuga para o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A saída do ex-ministro do PL se deu após ele não encontrar espaço dentro da legenda para concorrer ao Senado — espaço que pode ficar com Anderson Ferreira, atualmente sem cargo em Brasília, em uma aposta da sigla para atrair o voto conservador no estado. Machado se filiou ao Podemos no mês seguinte e anunciou candidatura à Câmara, além de subir o tom contra a antiga legenda.
Anotações feitas por Flávio durante reuniões na sede do PL, que vieram a público em fevereiro, indicam o desejo da legenda de costurar uma chapa junto a Raquel Lyra (PSD). O entorno da governadora, no entanto, rechaça a possibilidade.
O PL chegou a ser parte da gestão Lyra, mas a aliança foi desfeita. Há o entendimento no governo de que o partido de Bolsonaro é rachado no estado e tem pouca capilaridade política, motivo pelo qual o apoio não traria benefícios à campanha dela pela reeleição. Lyra deve enfrentar o prefeito de Recife, João Campos (PSB), que lidera as pesquisas.
Os registros de Flávio também indicam o interesse em apoiar ao Senado o ex-prefeito de Petrolina e atual presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho.
