Relações-públicas pernambucano é o único negro no comando de lista VIP na Sapucaí 

 

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Único relações-públicas negro e nordestino a comandar uma lista VIP na Marquês de Sapucaí, o pernambucano Anderson Oliveira ocupa um lugar raro e simbólico no carnaval carioca. Ele é responsável por montar a lista estrelada dos artistas que irão brilhar nos dias de desfile no Sambódromo dentro de áreas superexclusivas.

À frente do relacionamento com convidados do camarote Folia Tropical, um dos espaços que mais celebram a diversidade e a brasilidade no Sambódromo, ele faz do acesso uma ferramenta de transformação social.

“O Brasil real é plural, potente e não cabe em um único molde. Abrir espaço para diferentes presenças não é concessão, é coerência com a realidade brasileira” afirma o relações-públicas.

É essa visão que orienta seu trabalho no camarote, pensado para refletir a multiplicidade do país.

Para ele, estar na Sapucaí representa mais do que visibilidade profissional:

“É ocupar um território que sempre consumiu a estética negra, mas nem sempre abriu as portas para que pessoas negras decidissem as narrativas”.

A presença, segundo ele, só ganha sentido quando vem acompanhada de voz e poder de decisão.

Natural de Pernambuco, Anderson traz da sua origem a inventividade de quem cresce em um país desigual. Essa vivência moldou seu olhar sobre acesso e pertencimento.

“Acesso não é luxo. É uma ferramenta de transformação”, afirma.

Criar caminhos para que pessoas negras e nordestinas circulem em espaços VIPs é, para ele, um gesto político e simbólico.

Para jovens negros do Nordeste que sonham com carreiras na comunicação, na cultura e em grandes eventos, Anderson deixa um recado direto:

“Não espere autorização para existir. Seu sotaque, sua história e sua vivência são potência. O mercado tenta limitar expectativas, mas o repertório abre portas que muita gente nem imagina”.